Alexander Selkirk foi deixado em Más a Tierra, no arquipélago Juan Fernández, na costa do Chile, após um conflito com o capitão do navio em que viajava. Isolado por quatro anos e quatro meses, o marinheiro escocês precisou criar estratégias para obter alimento, proteger o abrigo e lidar com ratos que atacavam suas roupas e seus pés durante a noite.
O desembarque na ilha
Selkirk fazia parte de uma expedição de corsários britânicos a bordo do Cinque Ports. Ele desconfiava das condições da embarcação e discutiu com o capitão Thomas Stradling. Em certo momento, afirmou que preferia ficar em uma ilha a continuar em um navio que considerava inseguro.
Stradling determinou que o marinheiro fosse deixado em Más a Tierra. Selkirk se arrependeu logo depois e pediu para retornar, mas o navio partiu sem ele. Algum tempo mais tarde, o Cinque Ports naufragou.
O marinheiro não ficou sem recursos desde o início. Levava uma arma com munição e pólvora, além de machado, faca, panela, roupas, roupa de cama, tabaco, uma Bíblia e instrumentos de navegação e matemática. Esses objetos foram úteis no começo, mas não seriam suficientes para uma permanência tão longa.
Cabras, gatos e uma nova rotina
As cabras selvagens da ilha se tornaram a principal fonte de alimento. Selkirk caçava os animais e aproveitava suas peles para substituir as roupas que se desgastavam. Com a redução da munição, sua capacidade de correr pelo terreno atrás das cabras ganhou ainda mais importância.
Os ratos, trazidos por embarcações e multiplicados na ilha, representavam outro risco. Eles se aproximavam dos abrigos e mordiam Selkirk enquanto ele dormia. Para afastá-los, o marinheiro começou a oferecer pedaços de carne de cabra aos gatos selvagens que viviam no local. Alguns felinos passaram a permanecer perto dele, ajudando a manter os roedores longe do abrigo.
Além de cuidar da sobrevivência física, Selkirk organizou os dias com leitura da Bíblia, orações e salmos cantados em voz alta. A rotina ajudava a preservar algum contato com a vida humana e o uso da língua. Quando foi resgatado, sua fala ainda estava afetada pelo longo período sem conversar.
Resgate e influência na literatura
Marinheiros espanhóis chegaram a desembarcar na ilha, mas Selkirk não tentou se aproximar. Como britânico ligado a expedições contra interesses espanhóis, ele poderia ser preso. Segundo seu relato posterior, escondeu-se em uma árvore enquanto os homens o procuravam e só saiu depois que eles deixaram o local.
O resgate ocorreu no início de 1709, quando os navios britânicos Duke e Duchess chegaram ao arquipélago sob o comando de Woodes Rogers. Selkirk vestia roupas feitas de pele de cabra, tinha cabelo e barba longos e conhecia bem o terreno. Ele mostrou à tripulação onde havia água e alimento e voltou a trabalhar como marinheiro.
Woodes Rogers escreveu sobre o resgate, e Richard Steele também registrou a história. Anos depois, Daniel Defoe publicou Robinson Crusoe, em 1719. Selkirk é tradicionalmente considerado uma das inspirações reais para o personagem, embora o romance inclua elementos inventados. Em 1966, a ilha onde ele viveu recebeu oficialmente o nome de Ilha Robinson Crusoe.







