Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
Viver bem, todos os dias
Brasil

Aposentado compra segunda cadeira para gata que adotou o lugar da esposa

Nina passou a visitar Antônio diariamente no horário do café e escolheu a cadeira onde Lúcia costumava se sentar.

Aposentado compra segunda cadeira para gata que adotou o lugar da esposa

Antônio, de 74 anos, manteve o café das 16h30 depois da morte da esposa, Lúcia. Durante quase dois meses, ele colocava uma única xícara na varanda e permanecia em silêncio. A rotina começou a mudar quando uma gata rajada passou a aparecer no mesmo horário, até escolher a cadeira onde Lúcia costumava se sentar.

A primeira visita ocorreu em uma terça-feira de chuva. Molhada e magra, a gata ficou perto do portão. Antônio deixou água e um pedaço de frango em um pires, mas ela só se aproximou quando ele voltou para a cadeira.

No dia seguinte, às 16h27, o animal apareceu novamente. Depois, voltou na quinta, na sexta e no sábado. Em menos de duas semanas, Antônio já esperava pela visita. A gata costumava chegar entre 16h20 e 16h40, aguardava que ele se sentasse, comia devagar e permanecia na varanda.

Durante mais de 40 anos de casamento, Antônio e Lúcia tinham o hábito de tomar café juntos no fim da tarde. Após a morte dela, ele continuou preparando a bebida e começou a deixar a porta da varanda aberta. “Ela não chegava cedo nem tarde. Era sempre naquele pedaço da tarde”, contou.

A cadeira de Lúcia

A aproximação aconteceu aos poucos. No início, a gata comia e ia embora. Depois, passou a descansar perto do vaso de samambaia e, semanas mais tarde, permitiu que Antônio tocasse sua cabeça. Ele comprou sachês e preparou uma caminha com uma toalha velha em uma caixa de papelão, mas o animal quase não usava o espaço.

A mudança mais marcante veio quando a gata pulou na cadeira de madeira de Lúcia, deu duas voltas e dormiu no assento. O comportamento se repetiu no dia seguinte e, pouco tempo depois, aquele virou o lugar preferido dela.

“Foi estranho no começo. Depois eu achei bonito”, disse Antônio.

Por semanas, ele tomou café em pé ou usou um banco quando a gata ocupava a cadeira. Então comprou outra cadeira de madeira, parecida com a antiga, e colocou as duas lado a lado, separadas por uma pequena mesa redonda. Nina, como o animal foi chamado depois de passar por uma clínica veterinária, continuou escolhendo a cadeira de Lúcia. Antônio passou a usar a nova.

A gata era adulta, fêmea e não tinha identificação. Após receber cuidados básicos, passou a dormir algumas noites dentro da casa e ganhou potes próprios na cozinha. Ainda assim, a rotina da tarde permaneceu: por volta das 16h30, Antônio prepara o café, abre a porta da varanda e deixa um pequeno prato de comida perto da mesa.

Nina costuma subir na cadeira antiga e, muitas vezes, adormece antes que ele termine a primeira xícara. Antônio afirma que não vê a gata como substituta da esposa. A cadeira continua ligada às lembranças de Lúcia, mas o horário deixou de ser completamente silencioso. A segunda cadeira não apagou a ausência; apenas permitiu que ele retomasse o ritual com companhia.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5