O beija-flor bico-de-espada, Ensifera ensifera, usa o bico comprido para alcançar o néctar de flores tubulares profundas. A mesma característica que amplia o acesso a esse alimento também torna mais trabalhoso alinhar e limpar algumas penas do corpo.
A ave vive nos Andes e não faz parte da fauna brasileira. Estudos de morfologia mediram o bico em torno de 81 a 120 milímetros nos indivíduos examinados. O tamanho fica perto do comprimento do corpo, dependendo da forma escolhida para fazer a comparação. Por isso, dizer que o bico é sempre maior que o corpo inteiro simplifica a descrição.
Alimentação e polinização
Ao inserir o bico em uma flor de corola longa, o beija-flor pode encostar em estruturas florais e transportar pólen entre plantas. Um tubo profundo também pode deixar o néctar fora do alcance de visitantes com bicos curtos. Ainda assim, alcançar o alimento não significa que toda visita resulte na reprodução da planta.
A relação entre a ave e as flores depende do encaixe entre o bico e a corola, do comportamento durante a visita e do ambiente. Pesquisadores observam as visitas, medem bicos e flores e verificam se ocorre transferência efetiva de pólen. Flores diferentes podem oferecer recompensas diferentes, e a disponibilidade desses recursos varia conforme a época e o lugar.
O bico longo pode reduzir a competição em determinadas flores, mas também relaciona a alimentação da ave aos recursos disponíveis em condições específicas. A correspondência entre as formas não quer dizer que uma flor tenha evoluído exclusivamente para uma única ave.
Como o animal cuida das penas
Muitos pássaros usam o bico para alinhar a plumagem. No caso do beija-flor bico-de-espada, a projeção à frente da cabeça dificulta o alcance de algumas regiões. Observações registram a cabeça inclinada e o uso das patas para coçar áreas que o bico não alcança com facilidade.
Isso não significa que a ave seja incapaz de se limpar. Ela adapta o comportamento para realizar a tarefa. O cuidado com a plumagem participa das condições necessárias para o voo e para o isolamento do corpo, e o bico extremo mostra como uma mesma estrutura pode oferecer uma vantagem alimentar e impor uma limitação cotidiana.
O bico também não atua sozinho. O voo estacionário permite explorar flores sem pousar, enquanto a língua, a maneira de captar o néctar e a escolha das flores participam da alimentação. A posição do néctar e das partes reprodutivas da planta influencia o resultado de cada visita.
Assim, a anatomia do beija-flor bico-de-espada não pode ser resumida a uma comparação de tamanho. O animal alcança recursos profundos, lida com as exigências do voo e usa posturas e as patas para completar a própria higiene.







