As pequenas abas de pele que cobrem as narinas ajudam o cagu a procurar alimento no chão sem deixar tanta sujeira entrar nas aberturas do bico. A ave revolve folhas e partes macias da terra em busca de minhocas, larvas, insetos, caracóis e outros pequenos animais.
Conhecidas como córneos nasais, essas estruturas ficam sobre cada narina. O Zoológico de San Diego explica que elas provavelmente reduzem a entrada de partículas durante a escavação. A função é uma inferência baseada na anatomia e no comportamento do animal.
Uma ave adaptada ao solo
O cagu, Rhynochetos jubatus, passa quase toda a vida caminhando pelas florestas da Nova Caledônia. A espécie ocorre naturalmente apenas na Grande Terre, principal ilha do arquipélago, em áreas de floresta úmida e também em trechos mais secos que ofereçam cobertura.
Suas pernas fortes ajudam a caminhar, raspar folhas e perseguir pequenos invertebrados. A plumagem cinza se mistura à iluminação irregular do interior da mata, enquanto penas especiais produzem pó usado na manutenção e na proteção das penas. O porte é semelhante ao de uma galinha, com pernas alaranjadas e olhos vermelhos.
A ave consegue usar as asas para se equilibrar, fazer pequenos deslocamentos e se exibir, mas não realiza voo sustentado. A ausência histórica de mamíferos predadores terrestres na ilha, antes da chegada humana, está associada à menor importância do voo para a espécie.
Asas que funcionam como defesa
Quando se sente ameaçado, o cagu abre as asas e mostra faixas claras e escuras que normalmente ficam escondidas. Ao mesmo tempo, ergue a crista e aumenta visualmente o próprio contorno. A exibição pode intimidar um predador ou rival e também desviar sua atenção.
As asas aparecem ainda em disputas territoriais, no corte e na proteção do ninho. Assim, continuam úteis mesmo sem sustentar o voo: servem como recurso defensivo, social e de equilíbrio.
Vida familiar e riscos
Casais podem permanecer juntos por muitos anos e defender territórios com vocalizações que lembram latidos ou cantos em dueto. O ninho é simples e fica no chão; macho e fêmea participam da incubação e dos cuidados com o filhote.
Jovens podem continuar com os pais e ajudar na criação de um irmão mais novo. Esse comportamento forma pequenos grupos familiares, em vez de grandes bandos, e permite aprendizagem e proteção.
Cães, gatos, porcos e ratos introduzidos ameaçam uma espécie que nidifica no solo e teve pouca história evolutiva com mamíferos caçadores. A perda e a fragmentação da floresta agravam o risco. Programas de controle de predadores, reprodução, monitoramento e educação ajudaram populações em áreas protegidas, mas a distribuição limitada deixa o cagu vulnerável a incêndios, doenças e mudanças ambientais.







