Durante quase duas semanas, Patrícia encontrou sacos de lixo que não eram dela encostados no portão antes do amanhecer. O problema acontecia principalmente de madrugada e deixava restos espalhados pela calçada, inclusive perto da entrada da garagem.
A coleta passava por volta das 6h, mas os sacos não estavam no local perto da meia-noite. Quando Patrícia olhava novamente, às 5h30, eles já tinham sido colocados diante da casa. Na segunda-feira, apareceu um saco; na terça-feira, dois; e, na sexta-feira, três. Um deles estava rasgado.
Sem conseguir descobrir quem fazia isso, ela instalou uma câmera sob o beiral da garagem, voltada para a calçada. Nas duas primeiras noites, nada foi registrado. Na terceira, um homem apareceu pouco depois das 4h, mas a imagem estava escura demais para permitir a identificação.
Gravações mostraram o trajeto
Patrícia passou uma semana comparando as imagens e anotando os horários em que os sacos surgiam: segunda-feira, 4h18; quarta-feira, 4h42; sexta-feira, 3h57; e sábado, 4h26. O padrão era semelhante: uma pessoa aparecia do mesmo lado da rua e retornava poucos minutos depois sem carregar nada.
Na sétima noite, a iluminação de um carro deixou a gravação mais nítida. Patrícia reconheceu Sérgio, um vizinho que morava três imóveis acima. Ele puxava dois sacos grandes pelas alças, deixava os volumes diante do portão dela e voltava pelo mesmo caminho.
Sérgio confirmou que havia levado o lixo até ali. Segundo ele, animais rasgavam as sacolas deixadas diante da própria casa e espalhavam resíduos perto da garagem. Como o caminhão vinha da direção da casa de Patrícia, ele acreditava que os sacos ficariam menos tempo na rua se fossem colocados alguns metros abaixo.
Patrícia mostrou as imagens em que aparecia recolhendo as embalagens antes de sair para trabalhar. Sérgio pediu desculpas e disse que não imaginava que os animais continuariam mexendo nas sacolas naquele ponto.
Os dois combinaram outra solução. Sérgio passou a guardar os sacos em um recipiente fechado e a colocá-los para fora pouco antes da coleta. Patrícia manteve a câmera instalada, mas nenhum novo saco apareceu diante do portão nas semanas seguintes.
Com isso, ela também deixou de sair mais cedo para limpar a calçada. O que parecia um descarte aleatório vinha de um vizinho que transferia o próprio lixo para outra porta durante a madrugada.







