Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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O escape de 26 colmeias que redefiniu a apicultura brasileira

Um experimento para adaptar abelhas ao clima tropical saiu do plano e deu origem às populações africanizadas no país.

O escape de 26 colmeias que redefiniu a apicultura brasileira

Quando os responsáveis por um experimento perceberam que parte das telas de proteção havia sido retirada, 26 famílias de abelhas já haviam enxameado ou migrado. A saída das colmeias, ocorrida em 1957, mudou o rumo de uma pesquisa e da própria apicultura brasileira.

As abelhas que escaparam passaram a se reproduzir fora do apiário. Na natureza, cruzaram com abelhas europeias que já estavam espalhadas pelo Brasil. Desse processo surgiram as chamadas abelhas africanizadas, formadas pela combinação de genes de diferentes subespécies de Apis mellifera.

A proposta de melhoramento genético

A experiência havia sido iniciada pelo geneticista Warwick Estevam Kerr na década de 1950. Naquele período, as abelhas europeias usadas no país apresentavam adaptação limitada ao clima tropical e produtividade menor em várias regiões. Kerr buscava populações mais adequadas ao calor e à produção de mel.

Em 1956, ele foi à África para coletar rainhas de diferentes populações. O plano não era substituir as abelhas brasileiras por africanas, mas cruzar características desejáveis em um programa de melhoramento genético. Entre os objetivos estavam maior produtividade de mel, boa capacidade de buscar alimento, resistência às condições ambientais brasileiras e comportamento mais manejável por meio de cruzamentos selecionados.

As abelhas africanas, porém, eram mais defensivas. A estratégia previa cruzá-las com linhagens europeias, especialmente italianas, e selecionar, ao longo das gerações, indivíduos que reunissem adaptação e produtividade com menor agressividade.

Os desafios para os apicultores

Nos primeiros anos, as novas populações trouxeram dificuldades. Os apicultores ainda não dominavam seu manejo, e as abelhas africanizadas eram mais defensivas, enxameavam com maior facilidade e reagiam de forma diferente das linhagens europeias.

Houve abandono de apiários por produtores despreparados, maior risco de ataques quando as colmeias eram mal posicionadas e necessidade de alterar equipamentos, técnicas e locais de instalação. Também se tornou necessário treinamento específico para trabalhar com essas populações.

Com o tempo, pesquisadores e apicultores passaram a compreender melhor o comportamento das abelhas. O manejo foi adaptado, as colmeias começaram a ser instaladas em locais mais adequados e a seleção genética continuou favorecendo populações de interesse para a produção.

As abelhas africanizadas demonstraram capacidade de adaptação ao clima brasileiro, eficiência na busca por alimento e bom desempenho produtivo. Revisões sobre a história da apicultura nacional também associam sua consolidação ao aumento da produtividade apícola e a benefícios ligados à polinização agrícola.

Warwick Kerr continuou atuando em genética, zoologia e estudos de abelhas. Também trabalhou com espécies nativas sem ferrão e participou da formação de pesquisadores e apicultores ao longo de décadas. O episódio das africanizadas ficou marcado porque um acidente de manejo levou um experimento para fora do laboratório e alterou uma atividade econômica inteira.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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