Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro tenta ampliar eleitorado enquanto enfrenta denúncias e caso Vorcaro

Senador busca se apresentar como moderado, mas mantém no centro da campanha acusações antigas e a cobrança por recursos para um filme sobre o pai.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência tenta combinar a herança eleitoral de Jair Bolsonaro com uma imagem mais moderada. O senador passou a destacar posições e conteúdos voltados a públicos que rejeitam o estilo e algumas das pautas mais radicais do ex-presidente, enquanto enfrenta questionamentos sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e acusações antigas ligadas ao período em que foi deputado estadual no Rio de Janeiro.

O episódio mais recente envolve conversas nas quais Flávio teria cobrado de Vorcaro aportes para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações atribuídas ao Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões no ano passado, em um acordo que poderia chegar a R$ 134 milhões. Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir autoridades.

Flávio nega ilegalidade. Em nota, afirmou: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”.

A estratégia de moderação

Em vídeos publicados nas redes sociais, o senador aparece ao lado da esposa, Fernanda, e das duas filhas. Em um deles, ela afirma ter “reeducado” o marido, enquanto Flávio se descreve como o Bolsonaro que tomou vacina, em contraste com a postura do pai durante a pandemia de covid-19.

A estratégia também inclui mensagens sobre temas como o Carnaval, os feminicídios, a falta de creches e a trajetória de mulheres como Berta Lutz, Antonieta de Barros e Maria da Penha. A equipe de Flávio avalia que essa comunicação ajudou a ampliar sua presença entre jovens, mulheres e eleitores de classe média.

Pesquisas citadas no levantamento apontam crescimento do senador em uma simulação de segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva. Entre eleitores de 16 a 34 anos, Flávio chegou a 45%, contra 38% de Lula. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, marcou 44%, diante de 40% do atual presidente. Entre as mulheres, apareceu com 36%, ainda atrás de Lula, com 45%.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o caso envolvendo Vorcaro prejudica a tentativa de afastar Flávio da imagem associada ao sobrenome e a denúncias de corrupção. A campanha precisa, ao mesmo tempo, preservar o eleitorado bolsonarista e alcançar uma parcela de eleitores que não se identifica automaticamente com nenhum dos polos políticos.

Acusações antigas

As suspeitas de rachadinha remontam ao período em que Flávio ocupou um mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre 2003 e 2018. O Ministério Público acusou Fabrício Queiroz, então chefe de gabinete, de operar um esquema de recolhimento de parte dos salários de funcionários.

Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões. O Ministério Público afirmou que pelo menos R$ 2 milhões foram para a conta de Queiroz e outros R$ 2 milhões foram sacados em espécie para a organização criminosa. Também foram identificados pagamentos em dinheiro de 169 boletos relativos à escola das filhas de Flávio e ao plano de saúde da família, somando R$ 247 mil.

O senador nega as acusações e afirma que os recursos eram usados por Queiroz para contratar informalmente pessoas que trabalhavam em atividades de apoio parlamentar. O caso foi paralisado por decisões judiciais relacionadas ao foro privilegiado e à validade das provas. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que a investigação foi encerrada após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.

Flávio também é questionado pela proximidade com Adriano da Nóbrega, ex-policial militar acusado de atuar como miliciano. O senador homenageou Nóbrega em 2003 e 2005. A mãe e a então esposa dele trabalharam no gabinete de Flávio até 2018. O senador diz que não conhecia as acusações contra o policial e rejeita qualquer defesa de milícias.

Na avaliação de Marcelo Freixo, que conviveu com Flávio na Assembleia Legislativa, o senador tinha um estilo mais cordial que o pai, mas representava o mesmo projeto político. Aliados, como Damares Alves e Rogério Marinho, minimizam as denúncias e afirmam que elas não têm base factual.

O PT, por sua vez, tenta desconstruir a ideia de um Bolsonaro moderado. Vídeos compartilhados por Lindbergh Farias associam Flávio à extrema-direita e recuperam declarações sobre a possibilidade de uso da força para garantir anistia ou indulto ao pai, além de uma sugestão de que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira.

A disputa, portanto, combina a tentativa de ampliar o alcance eleitoral de Flávio com a pressão para que ele responda por episódios ligados à sua trajetória política e à família Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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