SÃO PAULO — A manhã fria e chuvosa não impediu a realização do Grito dos Excluídos e Excluídas na Praça da Sé nesta segunda-feira (7). A mobilização reuniu participantes para defender pautas como moradia digna, reforma agrária, Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio e o fim da escala de trabalho 6×1.
A programação começou às 7h com um café da manhã organizado pela Pastoral do Povo da Rua para a população em situação de rua. Foram distribuídos 2 mil cafés, além de 2 mil bananas, mexericas e água.
Maria Hortênsia, de 72 anos, participa do Grito há cerca de 20 anos. Integrante da Marcha Mundial das Mulheres, do Movimento de Saúde e do Fórum de Saúde de Campo Limpo, ela afirmou que o frio não afastaria sua disposição de participar. “Nós estamos aqui pela nossa luta e pela nossa existência e por um Brasil melhor”, disse.
Rosenilda Menezes de Souza, de 64 anos, também esteve no ato. Beneficiária do programa Minha Casa, Minha Vida, ela relatou que já participou de outras edições e se lembrou de mobilizações com mais pessoas. Ainda assim, decidiu manter a presença nas ruas: “Mesmo pequeno, eu venho porque eu acho que é importante”.
Programação e reivindicações
A edição realizada em São Paulo integrou a 32ª edição nacional do Grito dos Excluídos e Excluídas, promovida em diferentes regiões do país neste 7 de setembro. O lema deste ano é “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.
A abertura do ato político-cultural estava prevista para as 9h, com caminhada marcada para as 10h. O trajeto passaria pelo Pátio do Colégio, rua Boa Vista, Largo São Bento e rua Líbero Badaró, até o Largo São Francisco. As falas políticas foram programadas para a Praça da Sé, o Largo São Bento e o Largo São Francisco.
Entre os presentes estavam Thiago Ávila, Eduardo Suplicy, Paulo Teixeira e Amanda Paschoal. A agenda terminou às 12h, com uma missa na Catedral da Sé, presidida pelo cônego Marcelo Monge e concelebrada por padres convidados.
Realizado desde 1995, o Grito dos Excluídos surgiu dos debates da segunda Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em 1993 e 1994. A mobilização ocorre no 7 de setembro como contraponto popular às comemorações oficiais do Dia da Independência, levando às ruas reivindicações sobre as condições de vida da população.







