HOI AN — A madeira, os telhados cerâmicos e as ruas estreitas ajudam a contar a história de Hoi An, cidade vietnamita localizada na foz do rio Thu Bon. O conjunto urbano mantém características de um antigo centro de comércio, formado pelo contato entre comunidades chinesas, japonesas e europeias.
A posição da cidade, no Vietnã central, favoreceu a chegada de embarcações de diferentes regiões. As águas tranquilas ofereciam abrigo para os navegadores, enquanto o cais recebia mercadores interessados em produtos como seda e especiarias. Entre os séculos quinze e dezenove, esse movimento fortaleceu Hoi An como entreposto regional e ampliou suas conexões marítimas.
Ponte ligada à convivência entre comunidades
Um dos símbolos desse passado é a Ponte Japonesa, construída originalmente por mercadores japoneses no início do século dezessete. A passagem coberta conectava comunidades vizinhas e recebeu um nome associado à amizade entre pessoas vindas de terras distantes.
Mais tarde, artesãos chineses participaram da reforma da estrutura de madeira. As telhas esculpidas preservam referências à estética tradicional do período Edo. Atualmente, moradores e turistas atravessam a ponte a pé, empurrando bicicletas.
Casas compridas e técnicas preservadas
As antigas residências comerciais revelam outra camada da influência asiática. Construídas pela comunidade chinesa, elas têm fachadas estreitas, portas pequenas e interiores que avançam profundamente pelos lotes. A organização lembra a planta de casas tradicionais de Kyoto, no Japão.
Alguns casarões têm mais de um século e meio de história. Vigas triplas e pátios internos fazem parte dessas construções, enquanto famílias preservam as madeiras com resinas especiais antes da celebração do novo ano lunar.
O traçado da cidade liga o rio a armazéns residenciais por meio de ruas estreitas. Na recuperação dos imóveis, carpinteiros locais especializados em técnicas ancestrais reaproveitam peças antigas sempre que possível. A manutenção também envolve o uso dos mesmos tipos de matéria vegetal para substituir componentes desgastados.
O reconhecimento da UNESCO incentiva políticas de proteção do patrimônio. Com o aumento de visitantes internacionais, a conservação das construções busca manter a identidade comunitária e os vestígios de um entreposto que aproximou povos e culturas.







