Homenagens aos Erês podem ser feitas de maneira simples, com oração, carinho e atenção às orientações de cada terreiro de Umbanda. A prática não é apresentada como fórmula mágica, mas como uma forma de conexão com a espiritualidade e de cuidado simbólico com as crianças.
Uma das possibilidades é preparar um prato com balas, cocadas ou doces de frutas e colocar um copo com água ao lado. Em um local seguro, a pessoa pode acender uma vela branca, mentalizar o nome da criança e pedir aos Erês alegria, proteção, saúde e bons caminhos. Ao final, deve agradecer. A vela precisa ficar distante de crianças, animais, tecidos e materiais inflamáveis. Depois, os doces podem ser oferecidos a uma criança ou consumidos por adultos, conforme a tradição seguida.
A frase “O que Erê faz, ninguém desfaz” resume a confiança na força espiritual atribuída a essas entidades. Associados à alegria, à pureza, à espontaneidade e à energia infantil, os Erês também lembram que a fé pode ser cultivada com simplicidade e coração aberto.
Outra alternativa é um banho simbólico feito com camomila e manjericão, ervas tradicionalmente relacionadas à limpeza e ao acolhimento espiritual. A orientação é ferver a água, desligar o fogo, acrescentar as ervas, esperar a mistura amornar, coar e usar a preparação somente no próprio corpo.
Também é possível orar sem utilizar objetos ritualísticos. Em um ambiente tranquilo, a pessoa pode pensar na criança e pedir aos Erês alegria, proteção, saúde, amor e bons encontros. A oração pode incluir pedidos para que ela seja cercada de afeto, tenha os caminhos iluminados e permaneça afastada de energias negativas.
Uma homenagem com água e flores claras, como margaridas, é outra opção. Basta colocar água limpa em um recipiente, acrescentar algumas flores e fazer uma oração pelos pedidos de bênção, saúde, aprendizado, proteção e boas companhias. Depois, a água e as flores devem ser descartadas com respeito, sem deixar resíduos em espaços públicos ou na natureza.
Cada terreiro tem seus próprios fundamentos, formas de culto e orientações. Por isso, quem quiser realizar uma prática específica deve procurar um terreiro ou dirigente de confiança. No caso das crianças, a proteção espiritual também se relaciona a cuidado, presença, acolhimento, saúde, segurança e amor. Brincar, ser ouvida e ter espaço para expressar a espontaneidade são maneiras de levar essa alegria para o cotidiano.







