Os houthis ampliaram o controle sobre a costa do Mar Vermelho, no Iêmen, após tomar a cidade portuária de Moca na quinta-feira (10). Nesta sexta-feira (11), o grupo avançou por áreas próximas ao Estreito de Bab al-Mandeb, uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.
Quatro fontes do governo iemenita disseram que as forças houthis chegaram à ilha de Perim, também chamada de Mayyun. O território fica na entrada do estreito, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e, consequentemente, ao Oceano Índico.
A ofensiva em Moca levou à retirada das forças governamentais. Depois de assumir o controle da cidade, as forças navais houthis seguiram para o sul. Relatos locais apontam que o aeroporto de Moca, instalações navais e a base militar Khalid ibn al-Walid estão entre os pontos ocupados. O grupo também teria avançado sobre Al-Khokha e Dhubab.
Oferta de imunidade
Mahdi al-Mashat, presidente do Conselho Político Supremo dos houthis, pediu que integrantes das forças do governo entreguem as armas. Segundo ele, quem abandonar os combates terá imunidade contra processos judiciais.
Hazem al-Assad, integrante do bureau político houthi, afirmou que a navegação comercial continua funcionando normalmente. “A liberdade de navegação e o comércio internacional no Mar Vermelho e em Bab al-Mandab estão seguros e sob controle”, declarou.
Ataques sauditas
A Arábia Saudita respondeu ao avanço com ataques aéreos em Moca. O canal Al-Masirah, ligado ao movimento, registrou pelo menos dois bombardeios contra o aeroporto da cidade. Também houve relatos de ataques a outras posições ocupadas durante a ofensiva.
As forças governamentais contam com apoio saudita, e a possibilidade de uma contraofensiva permanece em aberto. Mohammed bin Salman telefonou duas vezes para Donald Trump na quinta-feira (10). Na primeira conversa, relatou a tomada de Moca e a retirada das forças iemenitas apoiadas por Riad. Depois, pediu que os Estados Unidos atacassem os houthis. Trump recusou a solicitação, segundo fontes ouvidas sobre as conversas. Os Estados Unidos não pretendem intervir diretamente, mas devem fornecer à Arábia Saudita informações de inteligência e dados para a escolha de alvos.








