Mais de 40 mil pares reprodutivos de pinguins-de-magalhães ocupam hoje a área do Parque Nacional Monte León, na Patagônia argentina. O território de 62.169 hectares também conserva estepes, falésias, praias e trechos do litoral do Mar Argentino.
A paisagem atual contrasta com o passado da antiga Estância Monte León. A propriedade esteve ligada à criação de ovelhas desde o fim do século XIX e, no início do século XX, chegou a manejar cerca de 40 mil cabeças de gado ovino. A produção de lã e carne fazia parte da economia das grandes propriedades rurais da região.
Da pecuária à conservação
O rebanho diminuiu ao longo do tempo. Entre os anos 1970 e 2001, o número de animais ficou aproximadamente entre 11 mil e 20 mil ovelhas. No fim de 2001, o gado foi retirado completamente do território.
A mudança de função ocorreu em etapas. Uma organização ambiental comprou a propriedade e depois a doou para que fosse incorporada ao sistema argentino de áreas protegidas. Em 2004, uma lei formalizou a criação do Parque Nacional Monte León.
O parque reúne mais de 62 mil hectares protegidos e aproximadamente 30 quilômetros de costa. Também inclui áreas de reprodução e descanso de espécies marinhas, além de trechos de estepa patagônica, falésias e praias.
Condições para os pinguins
Os pinguins-de-magalhães buscam regiões costeiras onde possam construir ninhos, chegar ao mar com relativa facilidade e encontrar alimento nas águas próximas. Em Monte León, o litoral preservado, o solo adequado e a menor pressão humana favorecem as colônias reprodutivas.
Durante a temporada, milhares de pares ocupam o território para reproduzir, incubar ovos e criar os filhotes. A presença dos pinguins é uma das marcas da transformação da área, mas não resume a diversidade protegida.
Guanacos, choiques, pumas, raposas e tatus vivem na estepa. Em setores próximos ao oceano, aparecem lobos-marinhos. A lista de aves inclui mais de uma centena de espécies, entre cormorões, gaivotas e petréis.
Uma recuperação que leva tempo
A retirada das ovelhas reduziu uma pressão sobre a vegetação, mas não fez a natureza se recuperar imediatamente. Décadas de pastoreio podem alterar a cobertura vegetal, compactar o solo e modificar a disponibilidade de alimento para a fauna silvestre. Por isso, a conservação depende de limitar novas perturbações e acompanhar as mudanças na paisagem e nos animais.
As construções usadas durante a atividade pecuária permanecem no local como parte do patrimônio cultural. Elas ajudam a registrar o período em que a área era voltada à produção e a mostrar a mudança para uma função de conservação.







