ESMIRNA — A antiga cidade de Esmirna, na área da atual İzmir, revelou novas superfícies decoradas durante escavações em sua ágora e nas proximidades do teatro. Foram identificados três ambientes da Antiguidade tardia, com mosaicos, mármore e pinturas murais.
Dois desses espaços têm pisos de mosaico. O terceiro conserva revestimento de mármore. A presença desses materiais indica planejamento e investimento em uma época na qual a cidade continuava ativa. As pinturas chamaram atenção por terem surgido em setores onde esse tipo de decoração ainda não havia sido registrado.
Segundo o diretor da escavação, foi a primeira vez que pinturas desse tipo apareceram nessas áreas. O achado amplia o conjunto de referências visuais conhecido de Esmirna e mostra que a ágora ainda pode preservar elementos não identificados em estudos anteriores.
O que os materiais podem indicar
Mosaicos e mármore podem ajudar os pesquisadores a reconhecer limites, acessos e diferenças de hierarquia entre os ambientes. O desenho e a técnica também permitem comparações com outros edifícios datados.
A função das salas ainda não deve ser definida. Objetos encontrados no local, portas, marcas de desgaste e reformas precisam ser analisados para indicar se os espaços tinham uso administrativo, comercial, cerimonial ou outro.
Por que a cidade antiga parece sem cor
Pedras e tijolos costumam sobreviver melhor do que pigmentos e rebocos finos. Exposição ao sol e à chuva, reformas, incêndios e escavações antigas podem remover essas camadas, deixando à vista principalmente os materiais estruturais.
Por isso, uma ruína sem pintura não representa necessariamente a aparência original da cidade. Quando mosaicos e murais permanecem, eles ajudam a compreender como paredes e pisos organizavam circulação, prestígio e identidade.
Para recuperar uma pintura enterrada, a equipe expõe as camadas lentamente e registra sua posição, a relação com as paredes e a sequência dos depósitos. Depois, conservadores estabilizam o reboco solto. O trabalho inclui escavação em camadas finas, registro fotográfico e espacial, estabilização do reboco e análise de pigmentos e argamassas.
Esmirna foi ocupada e reconstruída durante séculos. Assim, cada camada da ágora pode preservar uma versão diferente do mesmo centro urbano, mesmo após décadas de pesquisas.







