Ricardo Salles (Novo) retirou sua candidatura ao Senado e declarou apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), depois de meses de ataques públicos contra o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), ao lado do governador Tarcísio de Freitas.
A desistência ocorreu a seis dias do primeiro turno. No levantamento divulgado em 24 de setembro, André do Prado e Guilherme Derrite apareciam com 12% das intenções de voto, enquanto Salles tinha 4%. Marina Silva registrava 15% e Simone Tebet, 14%.
Acusações sobre ex-assessor
Um dos principais alvos dos ataques foi o caso de José Renato da Silva, que trabalhou como assessor de André entre 2013 e 2015 e depois atuou na liderança partidária até 2022. Em 2023, Silva foi condenado, em primeira instância, a 40 anos de prisão por estupro de vulnerável contra duas netas.
Salles questionou a permanência do ex-assessor no entorno político de André e sugeriu que o deputado teria acobertado o caso. André negou a acusação, afirmou que desconhecia os crimes e disse que o funcionário foi afastado quando as denúncias se tornaram conhecidas.
A tese de acobertamento foi contestada, e o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo considerou falsas parte das declarações feitas por Salles sobre André.
Decisões da Justiça Eleitoral
Em 15 de setembro, o TRE-SP determinou a retirada de três vídeos publicados por Salles e aplicou multa de R$ 5 mil por desinformação difamatória. Entre as afirmações consideradas falsas estava a de que André do Prado e seu suplente seriam investigados por desvios ligados à merenda escolar.
Durante a campanha, Salles também associou André ao Centrão e afirmou que ele teria se aproximado do PT para chegar à presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo. André respondeu às acusações e citou a situação judicial de Salles.
Mudança de posição
Em maio, Salles havia declarado que não existia “a menor hipótese de alguém decente apoiar o André do Prado”. Em julho, ao ser pressionado pela existência de três candidaturas do mesmo campo político para duas vagas ao Senado, afirmou: “Se quiserem ter dois candidatos, o André que desista. Eu vou resistir”.
Os ataques continuaram em debates realizados em 21 e 23 de setembro. No primeiro, Salles acusou integrantes do PL de terem “rabo preso” com Valdemar Costa Neto e voltou a dizer que André havia se unido ao PT para comandar a Assembleia Legislativa. Dois dias depois, chamou o deputado de “marionete de Valdemar Costa Neto”.
Cinco dias depois, anunciou a retirada da candidatura e passou a apoiar justamente André do Prado, além de Guilherme Derrite.








