A pesquisa Quaest sobre as disputas estaduais indica a consolidação de Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores do Nordeste e reforça a permanência de diferenças regionais observadas em 2018 e 2022. Para o cientista político Mateus de Albuquerque, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Sudeste deve voltar a ter papel central na definição da eleição presidencial.
Em avaliação sobre os dados, Albuquerque afirma que parte do eleitorado nordestino se identifica mais com Lula do que propriamente com a esquerda. Ele também destaca a força do PT em diferentes regiões do país. “É raro um lugar em que Lula não tenha 25% do eleitorado”, disse.
Na análise do professor, a diferença entre os resultados nos estados é mais importante do que uma vitória ampla em um colégio eleitoral menos populoso. Como o sistema brasileiro não é distrital, cada voto tem o mesmo peso, seja em Blumenau, onde Flávio Bolsonaro tende a vencer, seja em Teresina.
O Rio de Janeiro aparece como o principal ponto de atenção para Lula no Sudeste. Albuquerque avalia que o estado pode se transformar em uma arena central da disputa e afirma que o presidente precisa ampliar sua votação na região.
Estratégia na reta final
O cientista político considera que Lula deveria concentrar esforços em estados capazes de influenciar o resultado nacional, em vez de priorizar palanques estaduais em locais onde a disputa presidencial já estaria definida. Minas Gerais é citado como exemplo por ser o segundo maior colégio eleitoral e pela possibilidade de um aliado de Lula vencer a eleição para o governo estadual.
Em São Paulo, a pesquisa aponta a possibilidade de reeleição de Tarcísio de Freitas já no primeiro turno. Para Albuquerque, esse resultado criaria uma situação ambígua: Lula poderia ficar sem palanque no segundo turno, mas também teria a chance de obter vantagem sobre Flávio Bolsonaro. “Alguns eleitores de Tarcísio poderiam não comparecer a um segundo turno e, nesse sentido, Flávio perderia votos”, ponderou.
A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (23). A avaliação ocorreu durante a reta final da campanha, cujo horário eleitoral segue até 1º de outubro.







