REBILD — Uma ferramenta usada na preparação de um terreno atingiu um depósito de metal enterrado no município dinamarquês de Rebild. O conjunto, sepultado no século X, foi reconhecido como o maior tesouro nacional da civilização viking na Dinamarca.
O proprietário retirava camadas de terra para construir uma varanda quando ouviu o impacto contra materiais rígidos. A princípio, o volume pareceu sucata. Depois do aviso formal, profissionais do Nordjyske Museer isolaram a área residencial e começaram a retirar centenas de fragmentos espalhados pelo solo.
O tesouro pesa dezoito quilos e meio e reúne cerca de setecentos fragmentos. A descoberta ultrapassou a marca anterior do Tesouro de Terslev. Em um recipiente de barro, foram encontrados mais de trezentos itens intactos, com seis quilos de metal. Outras peças estavam dispersas ao redor do recipiente.
Prata usada como meio de pagamento
O conjunto inclui barras de prata, braceletes finos e pedaços recortados de joias e ornamentos. Esse material podia ser fracionado para pagamentos feitos conforme o peso, sem a necessidade de usar moedas padronizadas.
Também foi identificado um pequeno martelo de Thor, amuleto associado à religiosidade pagã nórdica. Entre os objetos estavam lingotes moldados, fragmentos de prata cortada e um pingente figurativo ligado a divindades.
Moedas apontam rotas comerciais
Pesquisadores catalogaram dirhams cunhados no mundo islâmico e pennies do monarca inglês Eduardo, o Velho. A presença dessas moedas indica conexões comerciais entre portos escandinavos, o território britânico e centros asiáticos.
Uma pesquisa geoquímica sobre moedas do tesouro de Damhus, publicada na revista Archaeometry, mostrou que a prata islâmica abastecia oficinas escandinavas em larga escala desde o início do século IX. Moedas estrangeiras também podiam ser fundidas e reaproveitadas na produção de joias.
A ocultação de riquezas no solo estava ligada à falta de instituições bancárias e à proteção do patrimônio em períodos de instabilidade. Saques, disputas sucessórias, mortes repentinas, conflitos militares e migrações forçadas podiam impedir o retorno ao local onde a reserva havia sido enterrada.







