Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Aos 49, Damião retoma os estudos e passa a preencher formulários sozinho

Depois de abandonar a escola aos 16 anos, ele se matriculou na educação de jovens e adultos sem contar à família e enfrentou o medo de fracassar.

Aos 49, Damião retoma os estudos e passa a preencher formulários sozinho

Damião deixou a escola aos 16 anos para trabalhar em um depósito e ajudar em casa. A ideia era voltar quando as contas melhorassem, mas vieram outros empregos, uma família e mais de trinta anos de espera. Aos 49, ele ainda lidava bem com problemas práticos do trabalho, mas travava diante de formulários longos.

A decisão mudou numa terça-feira, ao passar em frente a uma escola no período noturno. Ao ver adultos entrando com mochilas, anotou o telefone em um papel, guardou-o na carteira e não comentou com ninguém. O receio não era o trabalho, mas parecer incapaz por não dominar conteúdos que os filhos haviam aprendido cedo.

Em reuniões familiares, Damião chegou a dizer que estava sem óculos quando precisava ler algum documento complicado. Ele sabia fazer cálculos de estoque, reconhecer rotas e negociar entregas, mas não tinha concluído a formação interrompida.

A volta à sala de aula

Antes da matrícula, ele procurou a secretaria para saber quais documentos deveria levar e se existia uma turma compatível com seu horário. Foi informado sobre uma modalidade de educação de jovens e adultos e preencheu a ficha com demora. Depois, comprou um caderno simples e o escondeu na sacola do trabalho. Queria primeiro descobrir se conseguiria passar pela primeira semana antes de contar em casa.

Na primeira noite, escolheu uma carteira perto da porta. Quando a professora pediu um texto sobre um dia comum, descreveu o caminho entre o depósito e a escola, mas precisou parar para lembrar uma palavra. Mesmo assim, voltou no dia seguinte. Passou a estudar meia hora antes de dormir e a pedir explicações quando não entendia uma divisão no quadro.

Ele faltou a duas aulas por causa de um turno extra e quase abandonou o curso. A retomada deixou de ser apenas uma vontade: exigia reorganizar horários e manter uma rotina possível.

O caderno chega à família

Depois de três semanas, a filha encontrou sobre a mesa um exercício de matemática. Damião disse que pertencia a um colega do trabalho, mas revelou a verdade durante o jantar. Tirou o caderno da bolsa e contou que havia se matriculado porque tinha medo de fracassar.

A família reorganizou uma tarefa da casa para que ele saísse no horário da aula. Em vez de transformar cada exercício em comemoração, ajudou a preservar o tempo de estudo, como ele desejava.

A primeira avaliação escrita voltou com correções em vermelho e nota abaixo da média da turma. Damião carregou a folha dobrada durante o dia e pensou que o adolescente de 16 anos teria entendido o conteúdo melhor. Na aula seguinte, estudou com um colega que também precisava refazer parte da matéria. Antes do turno, os dois revisaram as questões por quinze minutos. Damião identificou etapas que havia pulado e refez os exercícios, em vez de apenas decorar respostas. A nota seguinte melhorou.

Uma conquista antes do diploma

Meses depois, ele levou para o jantar um formulário do trabalho. Preencheu os dados, conferiu duas vezes e assinou sem pedir que outra pessoa fizesse isso por ele. Ainda havia matérias difíceis e muitos meses de aula pela frente, mas Damião já não precisava inventar uma desculpa para pedir ajuda.

Ele ainda não tinha diploma nem garantia de concluir os estudos no tempo previsto. No domingo, colocou o caderno na mochila junto do uniforme de trabalho. Quando recebeu um formulário novo, tentou ler antes de passá-lo a outra pessoa. A mudança começou nesse gesto, antes de qualquer cerimônia.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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