Uma garrafa plástica instalada no telhado pode funcionar como uma fonte de iluminação natural durante o dia. A técnica foi criada pelo mecânico brasileiro Alfredo Moser em meio a apagões frequentes que atingiam oficinas em Minas Gerais.
A proposta atende principalmente moradias com poucas aberturas laterais, onde alguns cômodos permanecem escuros mesmo com o sol do lado de fora. Ao preencher recipientes transparentes com água e fixá-los na cobertura, Moser aproveitou a passagem da claridade para substituir lâmpadas acesas durante o período diurno.
O funcionamento depende da refração da luz. Quando os raios solares atravessam a parte externa da garrafa e entram na água, mudam de direção e se espalham pelo ambiente. Esse efeito distribui a luminosidade em várias direções, em vez de concentrá-la em um único ponto.
A água atua como um difusor translúcido e, conforme a descrição da técnica, produz uma claridade semelhante à de uma lâmpada incandescente de cinquenta watts. O sistema também permite a entrada de luz visível sem o calor excessivo associado a telhas translúcidas.
Materiais e cuidados na montagem
A estrutura utiliza uma garrafa PET transparente de dois litros, limpa, sem avarias e sem rótulo que possa bloquear a passagem da luz. A água deve receber uma pequena quantidade de cloro líquido ou alvejante, medida que ajuda a evitar a formação acelerada de algas e a manter o conteúdo transparente.
A instalação também exige resina vedante, descrita como uma cola à base de poliéster. O material serve para fechar a abertura ao redor da garrafa e reduzir o risco de entrada de água da chuva.
Testes de engenharia com sensores de iluminância indicaram que o dispositivo pode fornecer luz suficiente para leitura básica e tarefas do dia a dia em ambientes fechados. A autonomia, porém, acompanha a incidência direta do sol: a iluminação natural permanece disponível enquanto houver luz solar atingindo a garrafa.
A ideia ganhou projeção internacional com o movimento Liter of Light, organizado pela MyShelter Foundation. A iniciativa ensinou moradores de vilarejos a construir as próprias lâmpadas e se expandiu para mais de trinta países da Ásia, da África e da América Latina ao longo de duas décadas.







