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Terremoto em Kamchatka pode ter contribuído para erupção após 475 anos

Pesquisadores sugerem que o tremor elevou a pressão de gases no reservatório do vulcão Krasheninnikov.

Terremoto em Kamchatka pode ter contribuído para erupção após 475 anos
Foto: NASA Earth Observatory

O vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka, na Rússia, pode ter sido influenciado pelo terremoto de magnitude 8,8 registrado em 30 de julho de 2025. O tremor ocorreu na costa da região e, alguns dias depois, o vulcão liberou uma grande coluna de material, após 475 anos sem erupções.

A hipótese foi analisada por uma equipe liderada pelo vulcanologista James Hickey, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. O estudo foi divulgado como preprint no EarthArXiv, antes da revisão por pares.

Sinais observados antes e depois do tremor

Antes do terremoto, o Krasheninnikov não apresentava indícios claros de uma erupção próxima. Imagens de radar obtidas por satélite ao longo de nove anos não mostraram elevação do solo associada ao acúmulo de magma. A superfície, ao contrário, baixava cerca de 4 milímetros por ano.

Também não havia registro de emissões de dióxido de enxofre no vulcão, embora esse gás fosse detectado em outros vulcões de Kamchatka. Cerca de dois dias após o terremoto, 12 tremores de aproximadamente magnitude 4 ocorreram nas proximidades do Krasheninnikov em cinco horas. Dados de satélite apontaram a abertura de uma fratura quase vertical na crosta, por onde o magma teria avançado.

A equipe calculou que um dique formado nesse processo envolveu cerca de 32 milhões de metros cúbicos de magma, vindo de um reservatório situado aproximadamente 6 quilômetros abaixo da superfície.

Pressão acumulada no reservatório

Os pesquisadores avaliaram que as alterações permanentes de tensão causadas pelo terremoto foram de 0,01 a 0,05 megapascals de tensão de Coulomb. Esse intervalo é inferior à sobrepressão de aproximadamente 1 a 10 megapascals geralmente associada à ruptura de reservatórios de magma.

Durante o tremor, porém, a tensão transitória chegou a cerca de 1,0 ± 0,6 megapascals. Embora esse valor pudesse afetar o vulcão, a equipe não o considera a explicação mais provável, sobretudo porque a resposta do Krasheninnikov não foi imediata.

A modelagem indica que o magma tinha alto conteúdo de gases. A cristalização ao longo dos séculos pode ter concentrado bolhas de materiais voláteis no reservatório. O tremor prolongado teria favorecido a entrada de mais gás nessas bolhas, ampliando-as e elevando a pressão interna.

Nesse cenário, o reservatório teria se desestabilizado, permitindo a passagem do magma para o dique e, depois, a erupção. Os autores descrevem a possibilidade como um “estado crítico oculto”: o vulcão parecia inativo na superfície, mas o magma e as condições tectônicas poderiam ter deixado o sistema vulnerável a uma perturbação sísmica.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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