Uma marca de mão quase apagada em uma caverna da ilha de Muna, na Indonésia, tem pelo menos 67.800 anos. O desenho foi preservado sob uma crosta mineral e pode ser a arte rupestre conhecida mais antiga, embora não seja possível fazer uma afirmação definitiva sobre a origem da arte.
A imagem foi produzida pela técnica de estêncil. A pessoa encostou a mão na rocha e soprou pigmento ao redor dos dedos, criando um contorno formado pelo espaço sem tinta. Em Metanduno, o desenho está muito apagado, e um dos dedos parece ter sido afinado ou estilizado.
Datação pela crosta mineral
Pesquisadores analisaram depósitos de calcita que se formaram sobre o pigmento. O urânio presente no mineral decai em tório a uma taxa conhecida. A proporção entre os dois elementos permite estimar quando a camada começou a crescer.
Como a calcita está sobre a pintura, o desenho é mais antigo que o depósito analisado. Por isso, 67.800 anos representa uma idade mínima, e não a data exata em que a mão foi colocada na parede.
A marca indica uma ação planejada: houve escolha da superfície, preparação do pigmento e controle do gesto. Ainda assim, ela não identifica quem a produziu. É plausível relacioná-la a populações de Homo sapiens que circulavam pelas ilhas do Sudeste Asiático, mas a assinatura não permite determinar um indivíduo ou um povo.
Obras anteriores podem ter desaparecido, estar escondidas ou ter sido feitas com materiais que não resistiriam por dezenas de milhares de anos. Assim, a descoberta amplia as evidências sobre manifestações simbólicas em um mundo insular antigo, sem encerrar a discussão sobre quando e onde a arte surgiu.
A interpretação depende da relação entre as camadas minerais, da análise laboratorial e da cautela ao avaliar o que uma imagem tão discreta permite concluir.






