ROMA — Uma caminhada pelo centro de Roma atravessa quase três milênios de história sem deixar a cidade contemporânea. Ruínas do Império, basílicas cristãs, palácios renascentistas, fontes barrocas e praças movimentadas dividem espaço com moradias, lojas, cafés e vias usadas diariamente.
A tradição situa a fundação de Roma em 753 a.C., embora a ocupação da região seja anterior. A cidade foi centro da República Romana, capital do Império e, mais tarde, um dos principais polos do cristianismo ocidental. Ao longo desse processo, construções antigas foram reaproveitadas, igrejas surgiram sobre estruturas romanas e praças passaram a ocupar áreas que já tinham outras funções.
Ruínas romanas no centro da cidade
O Coliseu começou a ser construído no século I e foi inaugurado em 80 d.C. Nas proximidades, o Fórum Romano reúne templos, arcos e edifícios públicos que concentraram atividades políticas e religiosas da Roma antiga.
O Pantheon representa outra forma de permanência. A construção atual foi refeita entre 118 e 125 d.C. e preservou grande parte de sua estrutura depois de ser transformada em igreja no século VII. A enorme cúpula de concreto e o óculo central continuam entre seus elementos marcantes.
Igrejas e praças sobre diferentes épocas
Basílicas como Santa Maria Maggiore e San Giovanni in Laterano passaram por transformações ao longo de muitos séculos. Igrejas menores também incorporam colunas, fundações e materiais de construções anteriores. Na Basílica de San Clemente, níveis arqueológicos de épocas distintas aparecem sob a igreja atual.
A Piazza Navona mantém o formato do antigo Estádio de Domiciano, construído no século I, mas ganhou sua aparência barroca muito tempo depois. A Fonte dos Quatro Rios, de Bernini, e a igreja de Sant’Agnese in Agone integram esse conjunto.
A Fontana di Trevi começou a ser construída em 1732 e transformou em monumento o ponto final de um antigo aqueduto romano. Hoje, esses espaços permanecem cercados por restaurantes, lojas, moradias e ruas de circulação cotidiana.
Um patrimônio em transformação contínua
O Centro Histórico de Roma entrou na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1980. O sítio foi ampliado em 1990, reunindo monumentos da Antiguidade, edifícios cristãos, obras renascentistas e espaços barrocos em uma área urbana continuamente modificada.
A proximidade entre fóruns, basílicas, colunas, praças e construções residenciais ajuda a explicar a experiência da cidade. Em Roma, a Antiguidade não aparece isolada da vida atual: monumentos de dois mil anos podem estar ao lado de uma igreja, uma praça ou uma rua residencial.







