Os registros oficiais de compromissos do Palácio do Planalto mostram que Walfrido Warde, ex-integrante da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, esteve com o então vice-presidente Hamilton Mourão em 2021. O encontro ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro e não foi uma reunião com Luiz Inácio Lula da Silva.
Warde aparece uma vez nas agendas oficiais consultadas. O compromisso estava ligado a uma palestra sobre soberania, clima e desenvolvimento sustentável. Na ocasião, ele era presidente do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE).
A presença no gabinete de Mourão ganhou relevância após mensagens atribuídas a Warde em uma conversa com Vorcaro, em janeiro de 2025. O advogado teria dito que se encontrou com Lula em 22 de janeiro de 2025 e que levou ao presidente um uísque enviado pelo banqueiro. Ainda conforme o relato, Lula teria agradecido a bebida e enviado “um abraço” a Vorcaro.
O que consta nos registros
O Palácio do Planalto nega que a reunião entre Lula e Warde tenha acontecido. A suposta audiência também não aparece nas agendas oficiais consultadas.
Existe, porém, um encontro registrado entre Lula e Vorcaro. Em 4 de dezembro de 2024, o banqueiro foi recebido pelo presidente no Palácio da Alvorada. De acordo com os registros, os dois trataram da situação do Banco Master.
Os compromissos são distintos: o de dezembro de 2024 envolveu diretamente Lula e Vorcaro e consta da agenda oficial. Já a reunião de janeiro de 2025 teria ocorrido entre Lula e Warde, segundo o relato atribuído ao advogado, mas é negada pelo Planalto e não está registrada.
Warde deixou a defesa de Vorcaro em janeiro de 2026, depois que o banqueiro decidiu negociar uma delação premiada. Informações divulgadas na época apontaram que o advogado era contrário à estratégia escolhida pelo cliente, o que teria contribuído para sua saída da equipe jurídica.
Assim, os registros localizam Warde no Planalto em 2021, em compromisso relacionado ao IREE e realizado no gabinete de Mourão. A reunião com Lula mencionada para janeiro de 2025 permanece sem registro oficial e é contestada pelo governo.







