Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Alagamentos na zona leste de São Paulo reacendem debate sobre barragem da Penha

Moradores atribuem a demora no escoamento à operação da barragem; SP Águas nega relação entre comportas fechadas e enchentes.

Ruas e casas da União de Vila Nova, em São Miguel Paulista, ficaram alagadas neste sábado (12), depois que a água começou a subir durante a madrugada. O bairro, na zona leste da capital paulista, voltou a enfrentar enchentes após a chuva que começou na noite de sexta-feira (11).

Por volta das 10h17, moradores ainda relatavam que permaneciam debaixo d’água. Emerson Maquiné, integrante da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), disse que a chuva começou às 23 horas e que o alagamento se intensificou às 2 horas.

O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) registrava 17 pontos de alagamento por volta das 11h, incluindo trechos bloqueados da Marginal Tietê. Até esse horário, setembro acumulava 148,1 milímetros de chuva, volume 124,7% acima dos 66 milímetros esperados para todo o mês.

Entre 1h40 e 5h, o Corpo de Bombeiros recebeu 11 chamados por alagamentos ou enchentes na capital e na Região Metropolitana de São Paulo. Também foram registrados seis atendimentos por queda de árvores e sete relacionados a desabamento, desmoronamento ou soterramento. Quatro vítimas foram contabilizadas, sem informação sobre a natureza dos atendimentos.

Moradores questionam operação da barragem

A União de Vila Nova fica na várzea do Tietê e enfrenta cheias recorrentes. Moradores relacionaram a demora para a água baixar à operação da barragem da Penha, no Rio Tietê. Emerson afirmou que a falta de vazão indicaria que as comportas estavam fechadas.

“A água não tá escorrendo, não tá tendo vazão. Seguimos aqui com sofrimento, como todos os anos, e a gente quer solução”, disse o morador.

A última atualização disponível no site da SP Águas, feita às 12h de sexta-feira, indicava que as seis comportas da barragem estavam fechadas. A informação sobre a situação das comportas durante a madrugada e a manhã de sábado ainda não havia sido confirmada pelo órgão, responsável pela operação da estrutura.

A SP Águas nega que o fechamento das comportas tenha relação com as inundações nos bairros da região.

CPI analisou possível efeito no sistema de drenagem

Alessandro Guedes (PT), presidente da CPI do Pantanal, afirmou que a operação da barragem foi um dos temas examinados pela comissão. Segundo o vereador, representantes da SP Águas negaram ligação entre a barragem e as enchentes, enquanto técnicos e representantes de outros órgãos apontaram que o represamento poderia afetar o sistema de drenagem a montante.

A CPI foi instalada em 4 de setembro de 2025, após determinação da Justiça, para investigar as causas das inundações no Jardim Pantanal e em bairros vizinhos. O colegiado também analisou as condições do sistema de drenagem e alternativas para conter o excesso de água na várzea do Tietê.

Guedes informou que o departamento jurídico de seu mandato começou a avaliar medidas para tentar obter a abertura controlada das comportas. Com o encerramento dos trabalhos da CPI, uma eventual iniciativa deverá partir do mandato ou de outros vereadores.

Famílias convivem com alagamentos recorrentes

Em 2025, a União de Vila Nova enfrentou um dos episódios mais graves dos últimos anos, com água dentro de casas e comércios e perda de móveis e eletrodomésticos. Moradores instalaram comportas de metal nas portas, elevaram móveis e construíram novos pavimentos para tentar reduzir os impactos das cheias.

Emerson vive no bairro há sete anos e relatou que as famílias entram em alerta quando começam as chuvas mais fortes. O período de maior preocupação, segundo ele, vai principalmente de dezembro a março e também afeta as crianças.

Além da barragem da Penha, moradores e o MAB cobram manutenção e desassoreamento dos córregos e do Rio Tietê. A SP Águas e a Prefeitura de São Paulo foram procuradas para informar a situação na União de Vila Nova, a operação da barragem e o atendimento às famílias atingidas.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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