O encontro com uma anfisbena costuma durar poucos instantes: ela aparece quando a terra se abre durante a chuva ou durante uma atividade no jardim e logo pode desaparecer novamente. A espécie Amphisbaena alba é um réptil brasileiro que passa boa parte da vida sob o solo, longe do olhar de pessoas e predadores.
Seu corpo claro, alongado e coberto por anéis pode lembrar uma minhoca grande. A extremidade traseira arredondada também ajuda a explicar o apelido cobra-de-duas-cabeças. Apesar disso, o animal tem apenas uma cabeça. A aparência semelhante entre as duas pontas não significa que existam dois cérebros, duas bocas ou a capacidade de atacar pelos dois lados.
Um corpo moldado para o subterrâneo
A cabeça robusta participa da abertura do caminho, enquanto o formato cilíndrico facilita o avanço por espaços estreitos no solo. O corpo sem patas acompanha os túneis e, nesse ambiente, a ausência de pernas grandes favorece a passagem.
Os anéis não são segmentos iguais aos de uma minhoca. Eles correspondem à organização das escamas de um réptil. A cor clara e os olhos pouco aparentes, por si só, também não bastam para identificar o animal. Uma fotografia feita à distância pode ajudar um especialista.
A anfisbena não é uma cecília, embora esses anfíbios alongados também recebam o apelido de cobra-cega. Nomes populares podem ser usados para animais de grupos diferentes.
Alimentação e vida escondida
Enquanto permanece debaixo da terra, a anfisbena circula e procura alimento. Um estudo de Guarino Colli e Dario Zamboni sobre Amphisbaena alba no Cerrado registrou alimentação variada, com destaque para insetos como besouros e formigas.
Por isso, uma aparição na superfície não revela toda a rotina da espécie. O indivíduo pode estar deslocado por uma perturbação local, mas a causa exata depende da situação. A presença de um animal não permite concluir que exista infestação, contaminação do terreno ou que outros animais chegarão à casa.
Como agir ao encontrar uma
A anfisbena não é uma serpente peçonhenta e não tem o sistema de inoculação de veneno típico desses animais. Ainda assim, pode morder quando é agarrada ou se sente ameaçada. O mais seguro é manter distância, afastar crianças e animais domésticos e buscar orientação ambiental se o réptil não conseguir sair do local.
Não é indicado tocar no animal para comparar cabeça e cauda, nem usar enxadas, golpes ou tentativas improvisadas de captura. Observar de longe e pedir ajuda são atitudes suficientes quando há dúvida. Em caso de mordida, a orientação é lavar a região e procurar avaliação de saúde, principalmente se houver lesão importante ou piora.







