Influenciadores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passaram a divulgar anúncios pagos que associam o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro a apostas na Polymarket, plataforma bloqueada no Brasil desde abril. As publicações foram feitas na rede X e exibem gráficos do mercado de previsão, no qual usuários apostam dinheiro em resultados de eventos futuros, incluindo eleições.
A legislação eleitoral brasileira impede que terceiros impulsionem propaganda em benefício de candidatos e também veta doações de entidades estrangeiras para campanhas no país. Diante da possibilidade de financiamento estrangeiro da campanha de Flávio Bolsonaro, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou uma investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A Polymarket destinou, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, US$ 350 mil — cerca de R$ 1,8 milhão — a influenciadores e criadores de conteúdo. As contas envolvidas incluem perfis próximos de Trump e do movimento Make America Great Again (MAGA), além de páginas que adotam aparência de veículos de notícias para abordar assuntos internacionais.
O ex-deputado republicano Matt Gaetz, da Flórida, publicou uma das mensagens: “Flávio pode salvar o Brasil. Este é grande prêmio das Américas”. Ele tem 3,4 milhões de seguidores. Em outra publicação, um perfil afirmou que a probabilidade de Flávio se tornar o próximo presidente do Brasil havia subido de 21% em julho para 58% naquele momento.
A UHN Plus Media Network Inc., que declara ser “movida” pela Polymarket, também aparece entre os participantes. A empresa tem 1,2 milhão de seguidores, e seu vice-presidente é Javier Negre, ex-sócio de Fernando Cerimedo no La Derecha Diario.
Cerimedo, ex-consultor de Javier Milei e amigo de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está preso na Bolívia sob acusação de tentativa de homocídio contra Nadia Beller, sua então companheira. Beller afirmou que ele, que atuou na eleição de 2022, disse que trabalharia pela eleição de Flávio Bolsonaro.
O norte-americano George Behizy, com 639 mil seguidores no X, também participa das ações pagas. Ele já divulgou alegações falsas sobre fraudes nas eleições dos Estados Unidos e publicou um anúncio dizendo que “tudo está prestes a mudar no hemisfério Ocidental”.
Relações com a estrutura trumpista
Donald Trump Jr. é conselheiro da Polymarket, e sua empresa, 1789 Capital, investiu aproximadamente US$ 500 milhões — cerca de R$ 2,5 bilhões — na plataforma. Fundada por Shayne Coplan, a empresa participou de uma reunião da Rockbridge após a posse de Trump.
Em 12 de maio deste ano, Chris Applegate, assessor de Vance e responsável pela rede de doadores ligada ao trumpismo, registrou nos Estados Unidos o braço brasileiro da empresa, no Estado de Wyoming. Pedro Sang, articulador da Rockbridge no Brasil, foi apontado como responsável pela montagem da estrutura física do comitê de Flávio Bolsonaro em São Paulo.








