Machos de aranhas-pavão, do gênero Maratus, usam uma combinação de cores, movimentos corporais, pernas erguidas e vibrações para tentar atrair uma parceira. A apresentação dura poucos segundos, mas reúne sinais que chegam por diferentes caminhos. A fêmea pode interromper a aproximação quando a sequência não produz a resposta esperada.
Em espécies como Maratus volans, o macho ergue as pernas e expande abas coloridas do abdômen. Enquanto se desloca diante da fêmea, muda a posição do corpo para tornar o padrão visível de vários ângulos. A apresentação depende da ordem, da direção e da duração dos movimentos, e não apenas da aparência das estruturas coloridas.
A fêmea também se movimenta e reage ao cortejo. Por isso, o macho precisa ajustar a distância: uma exibição intensa pode não ser percebida da mesma forma quando acontece longe demais. A resposta dela influencia a continuidade da aproximação.
O sinal que passa pelo chão
Além do que pode ser visto, o macho produz vibrações que se propagam pela superfície onde os animais estão. Gravações de vídeo e vibrometria a laser permitiram relacionar essas vibrações aos movimentos do abdômen e das pernas. Enquanto observa o parceiro, a fêmea também recebe informações pelo contato com o substrato.
Pesquisas sobre a preferência feminina em M. volans associaram componentes visuais e vibratórios ao sucesso do cortejo. Isso não significa que uma cor isolada garanta a aceitação. Abas do abdômen, pernas, vibrações, distância e sequência participam do encontro entre os sinais.
Ensaios acompanharam a resposta das fêmeas diante de machos com combinações diferentes de características. A intensidade visual pode ter grande peso em determinadas condições, enquanto a contribuição das vibrações varia conforme a pergunta investigada e o substrato. Assim, a fêmea não escolhe necessariamente o macho mais colorido.
Quando a reação é desfavorável, ela pode se afastar, e o macho pode interromper a aproximação. Esse processo faz parte da seleção sexual, em que características ligadas à reprodução podem se tornar elaboradas ao longo das gerações. A aproximação também envolve risco, porque os animais estão diante de outro predador pequeno.
A combinação de sinais pode carregar informações complementares ou tornar a apresentação mais perceptível em ambientes variáveis. Essas possibilidades são hipóteses estudadas por meio da comparação entre movimentos, vibrações e respostas. A complexidade da dança, portanto, não é apenas um espetáculo visual: depende também de quem recebe os sinais e da superfície compartilhada pelos animais.







