Valerio Arcary avalia que a campanha de Lula precisa concentrar esforços nas mulheres periféricas e ampliar a defesa de medidas sociais na reta final do primeiro turno. Para o professor, a disputa será decidida principalmente no Sudeste e nas grandes cidades, como ocorreu em 2022.
A análise parte dos resultados da pesquisa Datafolha. Lula aparece à frente nos dois turnos, enquanto Flávio Bolsonaro deixou de reduzir a distância. Na intenção espontânea, o petista tem 36%, contra 27% de Bolsonaro. O grupo de indecisos recuou para 18%, depois de alcançar 32% no fim de agosto. Já os outros quatro candidatos somam 12%, ante 14% há um mês.
Onde estão as diferenças
Entre os 50% mais pobres, Lula registra 46% contra 32% de Flávio Bolsonaro. A vantagem também aparece entre os eleitores menos instruídos, por 49% a 29%, e no Nordeste, por 45% a 25%.
No Sudeste, a disputa é descrita como um empate técnico: 35% para Lula e 37% para Bolsonaro, com oscilação positiva de um ponto para o petista. Entre eleitores com renda de 2 a 5 salários mínimos, faixa que corresponde a um terço do eleitorado, Bolsonaro tem 40%, contra 34% de Lula. A diferença também favorece Bolsonaro entre evangélicos, por 47% a 27%, e no Sul, por 47% a 27%.
O cenário muda entre as mulheres. Lula tem vantagem de cerca de 9 pontos e chega a 47% contra 27% entre as mulheres que são referência financeira em seus lares. A rejeição geral dos dois candidatos está em 45%. Entre as mulheres, Bolsonaro soma 50% e Lula, 43%.
Mudança de estratégia
Arcary considera que a última semana antes do primeiro turno deve ser marcada pelo confronto político. Na avaliação dele, a estratégia de preservar uma postura defensiva, baseada na biografia e no legado de Lula, não foi suficiente. As defesas da soberania e da democracia também precisariam ser acompanhadas de novas iniciativas.
O autor cita cinco medidas anunciadas pela campanha: aumento de 15% do Bolsa Família, proibição das Bets, oferta de canetas emagrecedoras no SUS, compromisso com a universalização do ensino integral e proposta de leilão com deságio de 95% para anular dívidas de até R$15 mil. Para ele, essas ações podem ter começado a influenciar eleitores indecisos.
Também são apontadas como prioridades a criação do Passe Livre e a regulamentação do Imposto sobre as Grandes Fortunas. A defesa é que novas reformas sociais ampliem as mudanças nas condições de vida da população.
Pressões e disputa internacional
O professor classifica como um momento importante o discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em defesa da soberania. Ele também menciona a ida da campanha ao TSE para denunciar interferência externa no processo eleitoral.
Na avaliação de Arcary, a atuação do governo Trump em favor de Flávio Bolsonaro ocorre de maneira pública e clandestina. Ele relaciona essa disputa à influência dos Estados Unidos sobre a América Latina e ao uso das grandes empresas de tecnologia para controlar a circulação de informações.
O artigo ainda afirma que setores liberais estariam revendo sua posição diante do risco de uma vitória bolsonarista. Ao mesmo tempo, Arcary critica a pressão para que Lula assuma compromissos com ajuste fiscal antes da eleição.
Para o professor, a campanha enfrenta uma encruzilhada: apresentar novas medidas sociais e definir a base capaz de garantir a vitória. A resposta, segundo ele, está nas mulheres periféricas, especialmente nas grandes cidades do Sudeste.








