A assessora do senador Flávio Bolsonaro negociou, em 2023, a liberação de uma emenda parlamentar com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. O recurso, de R$ 199 mil, foi destinado a um projeto de futebol no Rio de Janeiro.
A Polícia Federal identificou indícios de desvios no repasse feito ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop). A entidade está localizada no bairro Taquara, área de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, apontados pelo STF como mandantes da morte de Marielle.
As conversas foram obtidas em um celular de Calixto durante uma investigação da PF. Nos diálogos, ele trata da destinação dos recursos com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio. O miliciano pediu ajuda ao senador e, após orientação da funcionária, enviou um e-mail ou ofício formalizando a solicitação.
Em uma das mensagens, Calixto pergunta se o senador poderia ajudar o projeto. Mais tarde, cobra novidades e pede que Flávio não se esqueça do Ifop. A assessora responde que verificaria a situação. Em outra conversa, ela orienta Calixto a levar Chiquinho Brazão a uma cerimônia para cobrar pessoalmente a liberação do dinheiro.
Os registros também mostram um pedido de quatro ingressos para o desfile das campeãs, em um camarote na Sapucaí. Os investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida.
A assessoria de Flávio afirmou que os repasses seguiram a legislação e os critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também declarou que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais comprados e devolveu os valores que não foram utilizados. Segundo a nota, eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.
Condenações e investigação
Em fevereiro, Chiquinho e Domingos Brazão foram condenados pelo STF a 76 anos e 3 meses de prisão cada um pela morte de Marielle e pela chefia de uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro. Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar o grupo.
A PF também investiga suspeitas de desvios de emendas destinadas por Chiquinho Brazão a organizações não governamentais no Rio. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além do uso de empresas interpostas e pagamentos indevidos para ocultar a origem e o destino dos valores.
As defesas de Calixto, Chiquinho Brazão e Domingos Brazão foram procuradas, mas não apresentaram manifestação sobre o caso relacionado às emendas.







