Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Associação de tiro usou R$ 920 mil em empresas do próprio presidente

A Associação Nacional Rifle recebeu R$ 1 milhão para um projeto em Saltinho (SP), com recursos indicados por deputados federais.

Emenda de Mario Frias bancou fraude em projeto de tiro de R$ 1 milhão
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil a duas empresas que têm Rafael Buscariol Zampaulo, presidente da entidade, como sócio-administrador. Os pagamentos foram feitos com recursos públicos recebidos para um projeto de incentivo ao tiro ao prato em Saltinho (SP).

A associação firmou termo de fomento com o Ministério do Esporte e recebeu R$ 1 milhão. Mais da metade do valor veio de uma indicação do deputado federal Mario Frias ao orçamento da União em 2025. Também houve recursos indicados pelo deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

A Company Thzt Security LTDA recebeu R$ 527 mil, enquanto o Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA recebeu R$ 392 mil. Conforme registros da Receita Federal, Zampaulo aparece como um dos sócios-administradores das duas empresas.

Despesas previstas no projeto

Notas fiscais encaminhadas ao Ministério do Esporte registram gastos com materiais e contratação de pessoal. Entre as despesas estão cerca de R$ 200 mil na compra de 10 máquinas lançadoras automáticas e R$ 62,4 mil em óculos de proteção balística.

Também foram registrados R$ 90 mil na aquisição de munições calibre 12, R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pela locação de dez espingardas.

O termo de fomento determina que a execução siga o princípio da impessoalidade. No documento, o presidente da ANR declarou que não contrataria empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas a parentes de dirigentes e funcionários da entidade.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos considerou a finalidade pública e os critérios técnicos apresentados. Ele disse que a execução financeira, as contratações e a prestação de contas são responsabilidade da entidade executora e estão sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes.

O deputado informou ainda que cobrará esclarecimentos do Ministério do Esporte sobre a fiscalização e a regularidade da execução. Mario Frias e o presidente da ANR não responderam aos contatos.

Posicionamento do Ministério do Esporte

O Ministério do Esporte afirmou que tomou conhecimento das possíveis irregularidades envolvendo empresas contratadas pela entidade parceira. A pasta declarou que, caso os problemas sejam confirmados, poderá determinar a glosa das despesas, a devolução dos recursos, a reprovação das contas e a instauração de Tomada de Contas Especial.

O ministério também informou que poderá encaminhar representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão por determinação de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigação sobre a relação entre emendas parlamentares e o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A Operação Make Up, da Polícia Federal (PF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. O deputado negou irregularidades e afirmou: “Vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento”.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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