Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Barraca de Marlene vira ponto de encontro para moradores do bairro

Aos 60 anos, vendedora mantém a rotina de bolos, reconhece clientes pelo nome e não planeja deixar o ponto onde trabalha há quase duas décadas.

Barraca de Marlene vira ponto de encontro para moradores do bairro

Aos 60 anos, Marlene mantém uma rotina que já organiza parte do movimento do bairro. Pouco depois das 6h30, ela leva uma mesa dobrável para a calçada, cobre o móvel com uma toalha florida e arruma os bolos do dia. Quem mora por perto sabe onde encontrá-la e costuma acompanhar os sabores disponíveis.

A vendedora não usa placa grande nem divulga o trabalho nas redes sociais. A clientela foi formada com o tempo, a partir da repetição dos encontros e da confiança construída no mesmo ponto.

Uma rotina conhecida pelos clientes

Marlene identifica famílias inteiras que compram com ela há anos. Algumas crianças que acompanhavam os pais cresceram, começaram a trabalhar e voltaram ao local levando os próprios filhos. Ela também reconhece preferências e horários: sabe quem toma café sem açúcar, quem leva metade de um bolo para o trabalho e quem procura o sabor de coco nas sextas-feiras.

A rotina inclui hábitos que se repetem. O primeiro bolo costuma ser cortado antes das 7h, clientes antigos fazem reservas por mensagem e os sabores variam conforme o dia. Quando chove, a mesa fica sob uma cobertura improvisada. Pequenas sobras são levadas de volta para casa.

Do teste em casa à permanência

A venda começou quando Marlene tinha 41 anos. Ela resolveu levar para a rua uma receita que preparava em casa para os filhos. Na primeira manhã, levou três bolos: fubá, chocolate e laranja. A mesa havia sido emprestada por uma vizinha, e os pedaços eram cortados na hora.

As vendas foram pequenas no começo, mas Marlene retornou no dia seguinte e continuou voltando. Em poucas semanas, moradores que passavam antes do trabalho começaram a perguntar qual seria o sabor do dia.

Com o passar do tempo, ela ouviu sugestões para abrir uma confeitaria, alugar um ponto comercial ou ampliar a produção. Chegou a considerar algumas dessas opções, mas preferiu manter uma escala que consegue administrar. A barraca paga parte das despesas da casa, fica perto de onde mora e permite que ela trabalhe com poucos bolos por dia.

O mesmo ponto, apesar das mudanças

Ao redor da barraca, um mercado virou farmácia, uma casa antiga deu lugar a um prédio, a praça ganhou iluminação nova e a rua passou a ter mais movimento. Marlene trocou o guarda-sol, comprou formas novas e começou a aceitar pagamento por aproximação. A mesa, porém, continua quase no mesmo lugar.

Essa continuidade faz com que alguns clientes deixem o dinheiro e sigam caminho sem perguntar o preço, confiando que ela fará a conta certa. Outros aparecem mais para conversar do que para comprar.

Marlene reduziu um pouco a quantidade produzida, principalmente nos dias mais quentes, mas não fala em abandonar o ponto. Quando não aparece, alguém pergunta se está tudo bem. Depois de quase vinte anos, a barraca passou a fazer parte da memória cotidiana de quem vive ao redor.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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