Besouros-coveiros do gênero Nicrophorus usam carcaças de pequenos vertebrados como território, reserva de alimento e berçário. O casal enterra o corpo, remove pelos ou penas, aplica secreções e prepara uma câmara subterrânea para proteger as larvas.
O processo começa quando um macho ou uma fêmea encontra uma carcaça pelo cheiro. O recurso pode ser uma ave ou um roedor e é disputado com outros besouros. Quando um casal permanece no local, os insetos movem o corpo até deixá-lo protegido da luz, do calor e de muitos concorrentes.
Sob o solo, os adultos moldam a carcaça e usam secreções que alteram a comunidade microbiana e retardam a decomposição. O tratamento não esteriliza o alimento, mas ajuda a mantê-lo disponível durante a fase inicial do desenvolvimento.
Cuidado com a ninhada
A fêmea deposita os ovos no solo próximo, e as larvas recém-nascidas caminham até a fonte de alimento. Em várias espécies, elas raspam parte da carcaça, mas também recebem material regurgitado pelos adultos. Esse alimento parcialmente processado facilita o acesso à comida nos primeiros momentos de vida.
Macho e fêmea podem participar do cuidado, embora a intensidade varie. Em algumas situações, um dos adultos abandona o local. Experimentos indicam que a presença dos pais pode aumentar o crescimento e a sobrevivência das larvas, mas exige energia e pode reduzir oportunidades futuras de reprodução.
Os adultos também defendem a câmara e ajustam o investimento ao tamanho do recurso e à quantidade de larvas. Quando o alimento não sustenta toda a ninhada, podem reduzir o número de filhotes.
Reciclagem no solo
Ao enterrar pequenas carcaças, os besouros aceleram a incorporação de nutrientes ao solo e retiram matéria orgânica da superfície. O processo envolve microrganismos, ácaros, moscas e outros decompositores.
Assim, o cadáver sustenta novas formas de vida enquanto serve de alimento protegido para os descendentes. Localizar, enterrar, conservar, alimentar e defender formam um ciclo de cuidado parental incomum entre os insetos.







