O almoço de domingo mudou de endereço quando o botijão de gás acabou enquanto o feijão ainda estava duro. Célia já tinha arroz lavado, salada pronta e carne temperada. Havia convidados a caminho, mas nenhuma boca do fogão acendia.
A família desligou os botões e telefonou para o depósito. Naquela manhã, não havia previsão de entrega para o bairro. Entre as sugestões, apareceram servir o feijão como salada, usar uma fritadeira elétrica, pedir comida pronta e dividir o cozimento em etapas numa panela elétrica pequena. Nenhuma opção resolveu o problema.
Para evitar um improviso arriscado na instalação, eles decidiram não mexer na mangueira nem adaptar peças. Célia guardou a carne na geladeira e separou os alimentos que precisavam de refrigeração. Enquanto a água do feijão esfriava, a família comeu salada, abriu a sobremesa fora de hora e tentou encontrar uma alternativa para o almoço.
A cozinha do vizinho
Davi, que morava ao lado, ouviu uma criança dizer pelo portão que o almoço tinha acabado sem começar. Ele apareceu para oferecer ajuda: sua família tinha fogão funcionando e duas bocas disponíveis. Em vez de entregar um botijão para uma instalação apressada, convidou Célia a levar as panelas para a cozinha dele.
O marido de Célia atravessou com o feijão, enquanto ela levou os ingredientes da carne em recipientes fechados. O filho ficou encarregado de avisar quem ainda estava chegando. A família de Davi emprestou outra panela e acrescentou uma travessa de legumes.
Na cozinha compartilhada, Célia cuidou do feijão, Davi fez o arroz e a avó acompanhou a carne. As crianças juntaram as mesas do quintal e contaram os lugares. O atraso, que antes causava aflição, virou parte da conversa. Quando o feijão ficou pronto, pratos e travessas das duas casas já estavam misturados.
A carne não saiu exatamente como Célia imaginava, e a sobremesa foi provada antes da comida salgada. Ainda assim, as duas famílias repetiram o feijão. Ao recolher as cadeiras, Célia percebeu que ninguém esperava um almoço perfeito.
Ela anotou um botijão de reserva na lista de compras e combinou outro almoço com Davi. No dia seguinte, ele devolveu uma travessa azul e levou fotos da mesa improvisada. Célia ofereceu um pote com o feijão que havia sobrado. A falha no fogão acabou aproximando as duas famílias e deu às crianças uma história para explicar como passaram a conhecer os vizinhos.







