Após meses de falta d’água, Davi instalou uma caixa-d’água elevada nos fundos de casa. A estrutura ajudaria a família durante as interrupções no abastecimento, mas o vizinho afirmou que ela passou a projetar sombra sobre os painéis solares do telhado.
Por volta das nove, a sombra da caixa e do suporte alcançava uma extremidade dos painéis. O vizinho mostrou uma fotografia feita no dia anterior e disse que aquele trecho antes recebia luz. Davi reconheceu a presença da sombra, mas não sabia se ela já atingia os módulos antes da instalação nem por quanto tempo permanecia no local.
A observação dos dois mostrou que a sombra recuava antes do meio-dia. Os relatórios do inversor indicavam variações na geração, mas nuvens, temperatura e época do ano também podiam influenciar os números. Por isso, uma manhã de produção menor não bastava para atribuir toda a diferença à caixa-d’água.
Medição e avaliação técnica
Davi propôs registrar a posição da sombra em horários fixos e guardar as condições do céu. O vizinho separou relatórios de dias comparáveis anteriores à obra. Eles também verificaram a presença de antenas, árvores e outras partes do telhado que poderiam sombrear os mesmos módulos.
Um profissional habilitado avaliou a configuração e a orientação dos painéis, além do possível impacto no conjunto elétrico. A área escura visível não determina sozinha a perda de geração, porque os equipamentos e a forma de ligação também influenciam o resultado.
Depois de duas semanas, os dados apontaram uma queda recorrente na geração durante a manhã em dias claros. O técnico estimou um possível efeito da sombra, mas pediu mais informações do inversor e uma simulação da trajetória solar ao longo do ano. A comparação com semanas de outra estação poderia alterar a leitura.
Ajuste da estrutura
Davi também conferiu regras locais de obra, afastamento e altura, além da segurança do suporte. O reservatório cheio tinha peso considerável, e a base precisava ser avaliada antes de qualquer mudança. Os dois trocaram fotografias datadas, dados de geração e um croqui com medidas.
O morador consultou as exigências urbanísticas municipais, a documentação técnica da instalação e as regras gerais de vizinhança previstas no Código Civil. A análise considerou separadamente a regularidade da obra e o impacto específico sobre os painéis.
O técnico concluiu que a base poderia ser rebaixada e deslocada dentro do terreno sem reduzir a capacidade do reservatório. A alternativa exigia reforço e outra tubulação, mas afastava a sombra da faixa crítica observada pela manhã. Davi pediu projeto e orçamento antes de decidir pela mudança.
Após o ajuste, as fotografias mostraram que a sombra deixou de atingir os painéis no período observado. A geração matinal melhorou em dias claros, embora os registros não isolassem todas as variações do tempo. Davi manteve a reserva de água, e o vizinho voltou a acompanhar a incidência de sol e os dados de geração.







