Um pequeno flash de luz surge no instante em que a bolha criada pelo camarão-pistola entra em colapso. O fenômeno, apelidado de “shrimpoluminescence”, indica condições extremas dentro dessa cavidade, com estimativas de temperatura de pelo menos cerca de 5.000 K por um intervalo muito curto.
Isso não aquece toda a água ao redor. A temperatura fica concentrada em uma região microscópica e dura uma fração minúscula de tempo. A luz é apenas uma parte do processo que transforma o fechamento da garra em um ataque capaz de atingir pequenos organismos.
A água vira parte do mecanismo
A garra especializada tem uma estrutura semelhante a um êmbolo. Quando se fecha, essa peça entra em uma cavidade e força a saída da água por uma abertura estreita. O jato alcança velocidades da ordem de dezenas de metros por segundo; estudos experimentais estimaram valores próximos de 25 m/s, enquanto outros trabalhos encontraram resultados ainda maiores, dependendo do animal e da medição.
A queda brusca de pressão causada pelo jato faz parte da água passar temporariamente para a fase de vapor. É a cavitação, processo que forma uma cavidade sem que seja necessário aquecer todo o líquido até a fervura.
A bolha acompanha o jato por uma curta distância, cresce e encontra uma região de pressão maior. Em seguida, começa a se contrair rapidamente. O colapso concentra a energia em uma região minúscula e produz um pulso intenso de pressão na água.
O estalo não vem do choque da pinça
Experimentos com filmagens de alta velocidade e hidrofones mostraram que o principal pulso sonoro ocorre no colapso da bolha, e não no contato mecânico entre as partes da garra. A onda de pressão pode interferir na comunicação acústica subaquática e, a curta distância, afetar pequenos animais.
Camarões da família Alpheidae usam o comportamento durante a caça e em interações defensivas. O alvo não precisa ser esmagado pela pinça: o jato e a onda de pressão podem atingi-lo à frente da garra, atordoando-o e facilitando a captura.
Medições e trabalhos sobre camarões de estalo relatam níveis subaquáticos que podem se aproximar ou ultrapassar 200 dB na fonte. Esse valor não deve ser comparado diretamente com decibéis de um tiro no ar, porque as medições subaquáticas usam uma pressão de referência diferente.
O apelido camarão-pistola descreve a rapidez, o estalo e o impacto do fenômeno, mas o animal não dispara uma bala nem produz uma explosão química. A energia é transferida pela água, e o principal pulso aparece quando a bolha de cavitação colapsa.







