O Exército dos Estados Unidos testou camelos para transportar cargas em regiões secas do sudoeste, e os animais mostraram desempenho suficiente para participar de uma expedição de cerca de 1.600 quilômetros. O projeto, porém, não se consolidou: a Guerra Civil interrompeu sua continuidade, enquanto a estrutura militar permanecia organizada em torno de cavalos e mulas.
A iniciativa recebeu apoio de Jefferson Davis, então secretário da Guerra. Em 1855, o Congresso destinou 30 mil dólares ao experimento e encarregou o major Henry C. Wayne de pesquisar, comprar e avaliar os animais. O tenente David Dixon Porter comandou o USS Supply pelo Mediterrâneo, onde negociou a aquisição de camelos, selas e conhecimentos de manejo.
Compra e adaptação
A primeira leva reuniu 33 animais no Egito e na Turquia, acompanhados por tratadores experientes. Depois de nascimentos e de uma morte durante a viagem, 34 camelos chegaram a Indianola, no Texas, em maio de 1856. Uma nova viagem acrescentou mais 41 exemplares.
O grupo foi levado para Camp Verde. Ali, os soldados tiveram de aprender como alimentar, carregar e conduzir animais que não faziam parte da rotina militar. Havia dromedários de uma corcova, camelos bactrianos de duas corcovas e um híbrido. A escolha levava em conta força, velocidade e resistência ao clima.
A experiência também dependia de técnicas específicas. As selas não podiam ferir o corpo ou pressionar a corcova, e a distribuição da carga precisava ser adequada. Os condutores aprendiam a reconhecer vocalizações, o ato de se ajoelhar e reações à aproximação. Os camelos podiam comer vegetação áspera rejeitada por outros animais de transporte, mas ainda precisavam de água, mesmo tolerando intervalos maiores em condições adequadas.
Desempenho no território seco
Em 1857, Edward Fitzgerald Beale liderou 25 camelos em uma expedição destinada a abrir uma estrada entre o Novo México e a Califórnia. Os animais levaram cargas por terrenos difíceis e continuaram avançando em situações nas quais as mulas enfrentavam limitações. Relatórios oficiais registraram a adaptação demonstrada.
Outros testes usaram os camelos no transporte de suprimentos, no correio e em missões de reconhecimento. Os relatos associados à expedição de Beale destacaram a resistência, a capacidade de carga e o desempenho em áreas secas. Os animais também atravessavam rios e aproveitavam a vegetação disponível.
O resultado não eliminou os obstáculos. Foi necessário adaptar arreios, cavalos e mulas podiam se assustar com os camelos, e poucos militares conheciam o manejo adequado. A utilidade no terreno não bastou para criar uma estrutura permanente.
A dispersão do rebanho
A saída de Jefferson Davis do Departamento de Guerra, a falta de aprovação para compras maiores e as tensões entre Norte e Sul reduziram o espaço político e financeiro do programa. Quando a Guerra Civil começou em 1861, forças confederadas tomaram Camp Verde, e a iniciativa perdeu continuidade.
Alguns camelos continuaram sendo usados no transporte, mas o rebanho se espalhou. Durante a década de 1860, o governo vendeu animais em leilões para zoológicos, circos, fazendeiros e empresários. Outros escaparam ou foram soltos, dando origem aos relatos de camelos vistos pelo sudoeste durante anos.
O Serviço Nacional de Parques preserva a história do experimento em locais como El Morro, passagem da caravana. Inscrições deixadas por integrantes da expedição na rocha relacionam a jornada dos animais à abertura de rotas e à expansão americana pelo território indígena. O chamado Corpo de Camelos não formou uma unidade permanente comparável à cavalaria; o nome resume uma experiência ligada ao setor de intendência.







