Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Paulo Nogueira Batista Jr. vê soberania brasileira sob pressão dos EUA

Economista relaciona a eleição de 2026 à disputa de influência no Hemisfério Ocidental e ao avanço da política externa de Donald Trump.

Paulo Nogueira Batista Jr. vê soberania brasileira sob pressão dos EUA

A eleição brasileira de 2026 é apresentada por Paulo Nogueira Batista Jr. como um ponto de disputa entre a soberania nacional e a ampliação da influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental. Para o economista e escritor, a candidatura competitiva de Flávio Bolsonaro se combina com uma política externa americana mais agressiva sob Donald Trump.

Na avaliação de Batista Jr., Flávio Bolsonaro explicita sua proximidade com Trump, seguindo a orientação do pai, Jair Bolsonaro. O autor sustenta que um eventual segundo governo Bolsonaro poderia aprofundar a subordinação do Brasil aos Estados Unidos e representar um retrocesso para o país.

O economista afirma que uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro ou no segundo turno, deixaria o Brasil mais preparado para enfrentar ameaças estrangeiras. Ele ressalva, porém, que os problemas do cenário internacional e a relação com uma superpotência agressiva continuariam por muito tempo.

Mudança na política dos Estados Unidos

Batista Jr. descreve os Estados Unidos como uma potência em declínio que tenta conter a perda de influência econômica, política e militar. Segundo ele, o surgimento de um mundo multipolar, marcado principalmente pela ascensão da China e de outros países do Leste da Ásia, levou os Estados Unidos e países europeus a abandonar a defesa irrestrita do livre-comércio e a adotar políticas de proteção e intervenção estatal.

Como essa mudança não teria interrompido o avanço chinês, os Estados Unidos teriam passado a romper regras, acordos e tratados, além de enfraquecer instituições criadas depois da Segunda Guerra Mundial, como a ONU e a OMC. Com Trump 2, afirma o autor, ameaças ou usos da força militar passaram a ser instrumentos para obter concessões de países considerados hostis ou pouco cooperativos.

Foco no Hemisfério Ocidental

Dois documentos oficiais são citados como sinais da nova prioridade americana: a “Estratégia de Segurança Nacional”, divulgada em novembro de 2025, e a “Estratégia de Defesa Nacional”, de janeiro de 2026. Os textos destacariam a retomada do controle sobre o Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagônia.

A estratégia americana também teria como objetivo limitar a presença econômica e política da China na América Latina. O ministro das Relações Exteriores, Marco Rubio, e o próprio Trump são apontados como defensores dessa orientação. A ideia, resumida por Batista Jr., é que “o Hemisfério Ocidental é nosso”.

O autor cita ações envolvendo a Groenlândia, Cuba e Venezuela como exemplos concretos dessa política. Na avaliação dele, a intervenção na Venezuela resultou no sequestro do presidente do país e na transformação do território em protetorado dos Estados Unidos, com controle sobre suas riquezas, especialmente as reservas de petróleo.

Também é mencionada a ampliação da presença militar americana na Groenlândia após ameaças de intervenção contra a Dinamarca e o território. Em relação a Cuba, Batista Jr. afirma que o embargo foi radicalizado e que uma agressão militar ou invasão poderia ocorrer depois das eleições parlamentares americanas em novembro.

A disputa por influência na região

O texto relaciona essas ações ao esforço de conter China e Rússia. Venezuela e Cuba são descritas como próximas dessas potências, enquanto Dinamarca e Groenlândia teriam sido vistas como incapazes de impedir a expansão da influência delas em seu território.

Para Batista Jr., eleições em países da região contribuíram para a formação de governos alinhados a Washington e a Tel Aviv. O modelo associado a Javier Milei, segundo ele, combina subordinação explícita aos Estados Unidos e apoio incondicional ao regime de Israel.

O autor identifica apenas três países grandes com uma linha independente: o Canadá de Mark Carney, o Brasil de Lula e o México de Claudia Sheinbaum. Ele também cita Cuba, Nicarágua e, em menor medida, Suriname.

Nesse cenário, a eleição brasileira seria uma oportunidade para os Estados Unidos ajudarem a escolher um governo alinhado aos seus interesses sem recorrer diretamente à força militar. Batista Jr. questiona se o Brasil aceitará essa condição e afirma que a defesa da soberania nacional será uma questão cobrada das futuras gerações.

Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e escritor. Entre suas experiências, estão a vice-presidência e a fundação do Novo Banco de Desenvolvimento, criado pelos Brics em Xangai, de 2015 a 2017, além da direção executiva no FMI pelo Brasil e mais dez países, em Washington, de 2007 a 2015. Em 2019, publicou o livro “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, pela editora LeYa.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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