A campanha de Flávio Bolsonaro entra na última semana sob pressão após a divulgação de mensagens de WhatsApp que indicariam o recebimento de presentes: um relógio avaliado em mais de R$ 300 mil e equipamentos de academia no valor de R$ 90 mil. O material também apresenta fotografias de Flávio em festas privadas com garotas de programa. As mensagens relacionam a entrega dos itens a um advogado interessado em uma aproximação com o gabinete do ministro Nunes Marques.
A análise é assinada por Valerio Arcary, professor titular no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), militante da Resistência/PSol e autor de “O Martelo da história”. Para ele, as novas acusações atingem uma candidatura que já vinha enfrentando dificuldades para reagir às iniciativas da campanha de Lula.
Fatores de pressão
Arcary afirma que o cenário eleitoral mudou nos últimos dez dias por causa de uma combinação de acontecimentos. Entre eles, cita a interrupção, pelo ministro Flávio Dino, de uma manobra de André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, o que teria deslocado o centro do debate sobre as denúncias contra Alexandre de Moraes.
Na avaliação do autor, a mudança abriu espaço para Lula defender a soberania brasileira em discurso na ONU, em Nova York. Também pesaram a adoção de propostas voltadas ao futuro, como o fim da jornada 6×1, o aumento do Bolsa Família, o Desenrola 3, a inclusão das canetas emagrecedoras no SUS e a universalização do ensino integral.
Pesquisas mencionadas na análise indicam vantagem de Lula no primeiro turno, no limite da margem de erro, com crescimento entre os mais pobres, mulheres e no Sudeste. O texto também cita a repercussão da polêmica sobre Nossa Senhora de Aparecida e o impacto da proibição das Bets.
Mobilização e Senado
O autor afirma que a campanha de Lula deixou o modo de baixa movimentação e passou a registrar maior engajamento. Ele menciona um ato com representantes da cultura e da arte no Rio de Janeiro e mobilizações em Recife, Belém, Fortaleza e Salvador, comparáveis, segundo a análise, às da disputa do segundo turno em 2022.
Arcary também destaca a eleição para o Senado. O plano do PL, liderado por Valdemar de Costa Neto, seria eleger de 28 a 35 candidatos nas 54 vagas abertas e alcançar a maioria absoluta de 41 senadores, somando os quinze mandatos atuais que vão até 2030. O impeachment de ministros do STF exige dois terços ou 54 votos.
Nas pesquisas citadas, o bolsonarismo aparece com 19 candidatos fora da margem de erro, enquanto o campo do lulismo, que inclui o MDB e partidos do centrão, reúne 18 favoritos. A análise ainda aponta alta probabilidade de definição da disputa para o governo estadual no primeiro turno em 11 dos 27 estados.








