A expulsão dos portugueses e a resistência à volta de um cenário anterior ao rompimento foram consolidadas por revoltas em diferentes províncias, afirma o historiador David Ribeiro, do Museu Paulista-USP. Entre os episódios destacados por ele está a luta pela independência da Bahia, liderada por uma população local e associada à figura de Maria Quitéria.
A data mais conhecida do processo é 7 de setembro de 1822, quando Dom Pedro I proclamou oficialmente a Independência do Brasil às margens do Ipiranga. A cena foi registrada em livros de História e no quadro Independência ou Morte!, de Pedro Américo. Para Ribeiro, porém, essa representação ajudou a fixar a ideia de que a separação de Portugal terminou naquele momento.
A disputa pela narrativa
O historiador avalia que a independência foi pressionada por elites interessadas em se desvincular de Portugal, enquanto a antiga metrópole tentou preservar parte da estrutura existente. Entre os elementos mantidos estava a escravidão.
“Apesar de muita gente querer construir essa ideia de uma independência pacífica que aconteceu sem sobressaltos, muita coisa aconteceu de norte a sul das províncias”, afirma Ribeiro. Na avaliação dele, diferentes grupos participaram da construção do país antes e depois de 1822, e a história desse processo acabou concentrada no Sudeste.
Ribeiro também aponta um apagamento das lutas que marcaram a formação nacional. Ele lembra que o Brasil foi a última nação a abolir a escravidão e permaneceu escravista até 1888. Durante o período monárquico, segundo o historiador, conflitos envolveram tanto disputas de elite quanto demandas por uma organização menos excludente, ainda sob o Império.
A independência na Bahia
A independência da Bahia ocorreu em 2 de julho de 1823, um ano depois da proclamação no Ipiranga. Para Ribeiro, esse movimento mostra o papel de pessoas comuns e o caráter combativo das revoltas, em contraste com a imagem de uma ruptura pacífica.
“O que de fato consolida esse processo de expulsão dos portugueses e de resistência ao retorno de um estado anterior são as lutas de independência como a da Bahia”, diz. Na leitura dele, essas mobilizações não encerraram o processo, mas ajudaram a consolidá-lo.







