As luas de Urano podem preservar sinais de uma fase de instabilidade na formação do Sistema Solar. Modelos matemáticos indicam que encontros entre planetas gigantes mudaram trajetórias, provocaram colisões e contribuíram para a destruição de satélites antigos.
A estimativa é que a sobrevivência de satélites regulares intactos tenha ficado abaixo de quinze por cento durante os encontros planetários. Parte dos corpos primitivos teria sido fragmentada, enquanto os detritos deram origem a uma nova geração de luas ao redor de Urano. Corpos menores também foram capturados e passaram a integrar o grupo de satélites externos irregulares.
Cenários para os planetas gigantes
Simulações computacionais testaram mais de uma centena de cenários para reconstituir as condições iniciais do sistema. Em algumas configurações, gigantes gasosos adicionais desestabilizaram as órbitas dos planetas vizinhos e depois foram lançados ao espaço interestelar.
Entre as possibilidades analisadas estão um sistema com cinco planetas gigantes, incluindo um corpo extra com massa semelhante à de Netuno, e outro com seis planetas gigantes, formado também por dois mundos adicionais de massas intermediárias. Os resultados indicam que a massa e a rota desses corpos influenciaram diretamente a preservação das luas.
A presença de dois planetas menores extras favoreceu os satélites de Júpiter. Já corpos maiores criaram condições mais favoráveis à preservação do sistema de Urano. Em todos os casos, os planetas excedentes acabaram expulsos após encontros gravitacionais violentos.
Marcas deixadas nas luas
A instabilidade alterou as órbitas originais dos satélites e submeteu esses corpos a colisões e forças de maré. As fraturas pulverizaram objetos antigos e espalharam detritos pela região. O aquecimento do interior gelado de algumas luas também ocorreu durante aproximações entre os corpos.
Os cálculos indicam que a aproximação de gigantes gasosos a menos de zero vírgula uma unidade astronômica poderia desfazer o sistema de satélites. Mundos de gelo a distâncias menores poderiam destruir as luas por completo. Mesmo passagens mais distantes, quando repetidas, acumulariam perturbações, alterando a excentricidade das órbitas e aumentando o risco de colisões.







