Janelas de aparência semelhante não garantem a mesma temperatura dentro de duas casas. O conforto térmico resulta da combinação entre a entrada de ar, a exposição ao sol, o bloqueio da radiação e as características dos materiais usados na construção e na decoração.
A posição dos cômodos e dos móveis também interfere. Um móvel alto diante de uma janela ou a passagem fechada entre ambientes pode dificultar a circulação natural e diminuir a renovação do ar.
O caminho do ar dentro da casa
A ventilação cruzada ocorre quando o ar entra por uma abertura e encontra uma saída em outro ponto, submetido a uma pressão diferente. Esse percurso favorece a retirada do calor acumulado, sobretudo quando a área externa está mais fresca que o interior.
O ProjetEEE, plataforma ligada ao Ministério de Minas e Energia, informa que o resultado depende do tamanho e da localização das aberturas, da direção dos ventos e da existência de espaço livre entre os cômodos. Por isso, a distribuição dos móveis pode favorecer ou atrapalhar a ventilação.
A influência da orientação solar
A direção para a qual as janelas estão voltadas determina quanto de radiação chega aos ambientes. Um estudo publicado na revista Ambiente Construído, baseado em medições e avaliações de usuários, encontrou diferenças térmicas relacionadas à orientação das fachadas e à incidência direta do sol.
No hemisfério Sul, as fachadas voltadas para o oeste costumam demandar mais atenção por receberem sol forte durante a tarde. As janelas voltadas para o norte podem ter maior insolação no inverno. Muros, árvores, prédios vizinhos e varandas também alteram a quantidade de luz e calor que alcança os cômodos.
Proteção do vidro e materiais
Cortinas ajudam a controlar a claridade, o ofuscamento e parte do aquecimento, mas o desempenho varia conforme o tecido e o local de instalação. Quando ficam dentro da casa, o sol já passou pelo vidro antes de atingir o material, e parte do calor continua chegando ao ambiente.
Toldos, brises, venezianas externas e beirais barram a radiação antes dessa passagem e, conforme o ProjetEEE, podem reduzir melhor o ganho térmico do que alternativas instaladas somente no lado interno.
Pisos, paredes, tetos e móveis participam da absorção e da liberação de calor. A escolha de tapetes, tecidos leves, cores claras e recursos de proteção solar pode contribuir para uma sensação mais confortável, mas não substitui mudanças estruturais. Também é recomendável não obstruir os caminhos do ar e evitar a concentração de aparelhos eletrônicos ou lâmpadas quentes em espaços pequenos.
Em dias quentes, proteger as janelas nos períodos de maior insolação e abrir os ambientes quando o ar externo estiver mais fresco pode ajudar. O efeito varia conforme o clima, a umidade e as características de cada construção.







