BELO HORIZONTE — A paisagem de Belo Horizonte muda rapidamente entre o baixo centro e as áreas mais ricas da cidade. No caminho pela avenida Olegário Maciel, a autora descreve sacolões, lixo, comércio popular, linhas de ônibus e muitas pessoas vivendo em situação de rua. Alguns metros adiante, o cenário urbano se transforma.
Hospedada no centro, ela relata ter visto pessoas tomando banho e lavando roupas no chafariz da Praça Raul Soares. A cena, escreve, não tem relação com a ocupação recreativa da Praça da Estação durante a Praia da Estação. Trata-se, segundo sua observação, de uma forma de realizar a higiene corporal e lavar utensílios em um equipamento público.
A autora também associa essas pessoas às que pedem dinheiro em frente ao Mercado Novo e montam barracas em esquinas e marquises. Para ela, existe uma barreira social que impede essa população de circular por áreas como Lourdes, bairro que compara ao Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
A cidade da festa e o contraste social
A experiência em Minas Gerais começou no fim do ano passado, depois das enchentes no Rio Grande do Sul. A autora esteve em Mariana e, no Carnaval, viajou para Belo Horizonte com amigos. Ela destaca a receptividade mineira, a presença de turistas e a estrutura dos blocos.
Belo Horizonte se consagrou como o terceiro maior Carnaval do Brasil em 2026, conforme afirma o texto. Também são citados eventos como Honk BH, Virada Cultural e outros festivais. A avaliação é que a cidade prepara suas ruas para receber a folia, mas o contraste aparece quando a programação termina.
Dados do CadÚnico em 2026 apontam 16.115 pessoas sem casa em Belo Horizonte. Com esse número, a capital mineira aparece como a terceira do país nessa condição, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. A autora interpreta esse cenário como sinal de uma desigualdade social que permanece depois do silêncio das fanfarras.
O texto também relaciona a identidade da cidade, marcada por bares e gastronomia, às dificuldades enfrentadas por pessoas sem moradia e em situação de fome. A autora descreve Belo Horizonte como uma terra de contradições, em que acolhimento e precariedade convivem.
Saúde pública e crise climática
Durante a estadia, a autora precisou procurar uma UPA. Ela relata ter encontrado um posto de saúde sem médicos e uma unidade lotada, com pessoas nos corredores. Depois de seis horas de espera, afirma ter recebido um atendimento insatisfatório.
A crise climática é outro ponto de aproximação entre Minas Gerais e o Rio Grande do Sul no texto. A autora menciona os alagamentos em Juiz de Fora, em março e abril deste ano, e relaciona a mineração à perda de partes da paisagem montanhosa e à piora da qualidade de vida da população.
Ela também cita Ouro Preto, que visitou, ao comentar riscos ambientais associados à liberação de ativos de mineração. O texto menciona ainda Mariana e Brumadinho, cidades que, segundo a autora, viveram catástrofes semelhantes às enchentes enfrentadas no Rio Grande do Sul.
No fim, a autora afirma que há resistência nas ruas, reunindo mulheres, ciclistas e trabalhadores. A reflexão é que, depois do Carnaval, é preciso lembrar quem continua ocupando os espaços públicos e enfrentando as consequências da desigualdade, das enchentes e da mineração.







