BRASÍLIA — Uma faixa de 12 metros voltou a ser retirada por agentes do DF Legal nesta sexta-feira (2), enquanto participantes de uma manifestação questionavam a situação financeira do Banco de Brasília (BRB). No mesmo dia, policiais militares e fiscais interpelaram novamente o grupo, que instalava a mensagem em uma passarela do Varjão, região administrativa do Distrito Federal.
As ações ocorreram depois de o DF Legal recolher a faixa na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto, na quinta-feira (1º). O órgão afirmou que o objeto foi instalado sem licença prévia e citou a Lei nº 1.771/1997, que, segundo a fiscalização, exige autorização para colocar objetos em áreas públicas. O DF Legal confirmou o apoio policial e disse que a retirada fez parte de ações de rotina.
Intimação e versões sobre a manifestação
Saulo Dias Kalunga, um dos participantes, recebeu uma intimação da 38ª Delegacia de Polícia (38ª DP) para prestar esclarecimentos nesta sexta-feira (2). Emitido na quinta-feira (1º), o documento o classifica como “envolvido” na ocorrência policial, mas não informa qual fato está sob apuração. Também não menciona as faixas, o BRB ou a governadora Celina Leão (PP).
O grupo começou a instalar as mensagens em 30 de setembro, em estruturas como viadutos e passarelas de Brasília. Uma segunda faixa, colocada na saída sul do Distrito Federal, perto dos acessos ao Gama e a Santa Maria, também teria sido recolhida pelo DF Legal. Segundo os manifestantes, a justificativa foi uma suposta irregularidade em área pública.
Saulo afirma que a iniciativa é pacífica e busca cobrar explicações da governadora sobre o banco. “Nossa manifestação é pacífica. Nossa pergunta é legítima. E vamos continuar cobrando respostas”, disse em uma publicação nas redes sociais.
Embora seja filiado ao Partido dos Trabalhadores, Saulo expôs uma faixa sem sigla ou número de candidatos à eleição. O advogado especialista em direito eleitoral Miguel Novaes afirmou que a propaganda eleitoral em estruturas públicas é proibida, mas distinguiu esse tipo de material de uma manifestação política. Para ele, a liberdade de expressão deve ser preservada diante da dúvida sobre a classificação da mensagem.
Um segundo participante relatou uma abordagem durante a instalação da faixa no Varjão, por volta das 6h30. Segundo ele, dois homens se aproximaram quando o grupo se preparava para retirar o material. Um deles teria mostrado uma arma, feito ameaças e tentado tomar a faixa. O participante não foi identificado.
Apurações e situação do banco
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que não antecipa informações sobre procedimentos ainda em apuração, especialmente antes das oitivas e de outras medidas investigativas. A corporação disse que o sigilo busca preservar as diligências e os direitos das pessoas envolvidas, e que eventuais esclarecimentos serão apresentados no momento processual adequado.
A assessoria de Celina Leão foi procurada, mas não respondeu. A governadora também é alvo das mensagens exibidas pelo grupo, que pergunta: “Celina Leão, cadê o dinheiro do BRB?”
A cobrança ocorre enquanto o BRB não publica demonstrações financeiras desde setembro de 2025. Em abril deste ano, a Assembleia Geral de Acionistas suspendeu a análise e a votação dos documentos relativos ao exercício de 2025 porque eles não haviam sido publicados.
Em março, o banco comunicou ao mercado que a divulgação das demonstrações financeiras de 2025 seria adiada para concluir uma auditoria forense relacionada à Operação Compliance Zero e avaliar os impactos nas contas da instituição.
O assunto também apareceu no debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) promovido pela TV Globo na terça-feira (29). Leandro Grass (PT) questionou Celina Leão sobre a situação do banco e mencionou a transferência de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde do DF para uma conta no BRB.







