A reprodução do equidna-de-focinho-curto reúne uma perseguição prolongada, disputa entre machos e uma característica rara entre mamíferos: a postura de ovos. Na estação de acasalamento, uma fêmea pode ser acompanhada por vários pretendentes, que detectam seu rastro pelo odor e avançam pela vegetação.
A escolha depende da fêmea
O grupo não permanece necessariamente igual durante todo o trajeto. Novos machos podem entrar na fila, enquanto outros desistem. A perseguição continua enquanto a fêmea procura alimento, descansa ou tenta afastar os animais que a acompanham.
Estar mais perto dela não garante a cópula. Quando fica receptiva, a fêmea pode permitir que os machos cavem uma vala circular ao seu redor. Eles empurram os rivais e disputam posição até que um deles se alinhe ao lado dela. Mesmo com vários concorrentes, ela costuma acasalar com apenas um.
Registros de museus e zoológicos descrevem grupos de até dez machos, mas o tamanho e a duração do chamado trem de equidnas variam. Como esses animais são difíceis de acompanhar em campo, não é preciso imaginar que os mesmos indivíduos sigam juntos durante todo o período.
Um mamífero que põe ovos
O equidna-de-focinho-curto, de nome científico Tachyglossus aculeatus, vive na Austrália e na Nova Guiné. Ele pertence aos monotremados, grupo que também inclui os ornitorrincos e se caracteriza pela postura de ovos.
Depois da fecundação, a fêmea desenvolve uma dobra temporária de pele no abdômen. Cerca de três semanas mais tarde, deposita ali um único ovo pequeno, de casca flexível. A incubação dura aproximadamente dez ou onze dias, até o filhote romper a casca.
O recém-nascido é minúsculo, não tem espinhos e depende da mãe. Ela não possui mamilos: o leite sai por poros em áreas especializadas da pele, e o filhote o lambe. Com o início do crescimento dos espinhos, a mãe o leva para uma toca protegida e retorna periodicamente para amamentá-lo durante meses.
Fora da estação reprodutiva, os equidnas costumam viver sozinhos. Procuram formigas e cupins com o focinho alongado e a língua pegajosa, escavam usando garras fortes e recorrem aos espinhos para se defender. A vegetação densa, as trilhas e as tocas ajudam a esconder partes do percurso, tornando difícil observar um trem inteiro.
Acompanhar a cena exige distância. Interromper a fila ou tocar na fêmea pode causar estresse e comprometer a reprodução. O ciclo combina olfato, resistência, competição e decisão da fêmea, enquanto preserva características de mamíferos, como a produção de leite, ao lado da postura de ovos.







