O Estreito de Ormuz continua fechado e concentra a disputa na guerra entre Estados Unidos e Irã. Nesta semana, o governo de Donald Trump atacou embarcações da Guarda Revolucionária Iraniana no canal, em meio à escalada das tensões. O conflito entrou no sétimo mês.
Para Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, os ataques tiveram “alguma racionalidade” diante de informações de que a navegação na região vinha sendo reestabelecida. Segundo ele, o Irã havia recorrido a minas, drones e lanchas para dificultar a passagem de embarcações, enquanto os Estados Unidos passaram a atuar no local para retirar minas e buscar rotas alternativas.
O professor afirma que a estratégia iraniana voltou a incluir armadilhas no estreito, o que teria dificultado novamente a navegação. Na avaliação dele, essa foi a razão para o novo ataque americano. A ação recebeu uma resposta do governo iraniano, que atingiu bases militares dos Estados Unidos na Jordânia.
Ponto central do conflito
Leães também diz que as pressões econômicas impostas pelos Estados Unidos ao Irã não produziram o efeito esperado. Para ele, o Estreito de Ormuz é o “centro de gravidade” da guerra e terá papel decisivo nas negociações políticas.
“É onde está o coração da guerra, é onde será decidida politicamente a guerra”, afirmou. Na avaliação do especialista, se o estreito for reaberto, o Irã perderá capacidade de pressionar os Estados Unidos, o que não seria compatível com seus interesses estratégicos.
O professor comentou ainda a posição recente da China. Na semana passada, a Conferência da Cooperação de Xangai assumiu um tom antiestadunidense, com a presença do Irã. Leães, porém, pondera que a composição do grupo reúne países heterogêneos e que não é possível defini-lo simplesmente como um bloco anti-Otan.
Para ele, a China tem adotado uma postura cada vez mais autônoma, mas não toma medidas antecipadas contra o Ocidente: reage às ações dos Estados Unidos.






