Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Acordos entre China e EUA reduzem tensões, mas não encerram divergências

Professor chinês defende diálogo permanente, previsibilidade e cooperação em áreas como comércio e inteligência artificial.

Acordos entre China e EUA reduzem tensões, mas não encerram divergências

O encontro entre Xi Jinping e Donald Trump criou novos canais de diálogo e acordos em comércio, combate às drogas, inteligência artificial e comunicação militar. As medidas, porém, não eliminaram as divergências estruturais entre China e Estados Unidos, segundo Liu Baocheng, professor da Universidade de Negócios Internacionais e Economia da China (UIBE).

A reunião ocorreu na última quinta-feira (24), em Washington. Os dois governos reafirmaram a intenção de construir uma relação de estabilidade estratégica e também trataram de Irã, Ucrânia e Península Coreana. Houve ainda apoio mútuo à realização da APEC e do G20.

Na área econômica, os países respaldaram os resultados das consultas entre suas equipes e apoiaram um arranjo de redução tarifária recíproca de US$ 30 bilhões. Também deram continuidade às negociações sobre terras raras, minerais críticos e mecanismos bilaterais de comércio e investimento.

Previsibilidade nas relações

Liu afirmou que as conversas se intensificaram depois do anúncio das tarifas de Trump em abril de 2025. Desde então, foram realizadas cinco rodadas de negociações em diferentes partes do mundo. Entre os objetivos estavam reduzir tarifas, ampliar o acesso aos mercados e dar mais estabilidade ao fornecimento de minerais estratégicos.

Para o professor, o ponto central é recuperar a confiança e reduzir a imprevisibilidade que afeta empresas, investimentos, cadeias de produção, finanças, intercâmbios acadêmicos e circulação de pessoas. “Estabilidade significa regras transparentes, com as diferenças colocadas sobre a mesa para diálogo e negociação”, afirmou.

Liu defendeu mecanismos permanentes de negociação para substituir respostas emergenciais, restrições e retaliações. Ele citou os novos Conselhos de Comércio e de Investimento como possíveis instrumentos para manter uma agenda regular. Na avaliação do professor, os dois países têm preocupações legítimas de segurança nacional, mas essas questões podem limitar os ganhos da cooperação quando ultrapassam determinados limites.

A relação bilateral também tem impacto sobre crises regionais e disputas geopolíticas. Durante a reunião, Xi pediu que os Estados Unidos se oponham à chamada independência de Taiwan e tratem o tema com cautela. Os presidentes discutiram ainda o Oriente Médio, a Ucrânia e a Península Coreana.

Inteligência artificial

China e Estados Unidos concordaram em criar um diálogo sobre inteligência artificial e um canal bilateral para incidentes ligados à tecnologia. Liu avalia que a área pode transformar a economia e a sociedade, mas exige cooperação internacional para reduzir riscos, impedir usos militares destrutivos e evitar concentração tecnológica.

O professor atribui aos Estados Unidos vantagens em pesquisa científica básica e avanços de ponta. A China, segundo ele, tem capacidade de adoção rápida e aplicação de inovações em larga escala. Essa diferença poderia abrir espaço para colaboração, desde que a competição não evolua para confronto.

Liu também defendeu programas de assistência e colaboração para países do Sul Global. Para ele, a concentração de sistemas avançados em poucos países ou grupos poderia ampliar desigualdades e criar uma nova divisão internacional.

A confiança tecnológica é outro obstáculo. O professor mencionou preocupações dos dois lados sobre segurança de equipamentos e proteção de dados, incluindo veículos elétricos e guindastes chineses, além de empresas norte-americanas que atuam na China.

Durante a visita de Trump à China, em maio de 2026, os presidentes já tinham concordado em buscar uma relação baseada na estabilidade estratégica. Para Liu, manter esse compromisso depende de disposição política, visão de longo prazo e continuidade no diálogo. A expectativa é que o encontro em Washington ajude a administrar as diferenças por meio de canais permanentes, evitando uma escalada para o confronto.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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