Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro foi corrigido ao menos 6 vezes em entrevista na Globo

Durante sabatina, candidato foi confrontado com fatos sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, clima, filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante uma sabatina na Globo, Flávio Bolsonaro mentiu ao ser confrontado com informações sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, mudanças climáticas, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega. Em um dos episódios, ele admitiu ter “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) entrou no estúdio da Globo na noite de sexta-feira (28) com a intenção de apresentar sua versão sobre os principais assuntos relacionados à candidatura à Presidência. Nos 40 minutos de entrevista com César Tralli e Renata Vasconcellos, no entanto, o candidato precisou lidar com uma situação que costuma ser desconfortável para ele: os entrevistadores apresentaram fatos que contrariavam declarações falsas feitas por ele em ao menos seis ocasiões.

A análise da entrevista completa foi realizada a partir dos vídeos e da transcrição. O cruzamento dos trechos com o conteúdo audiovisual aponta ao menos seis momentos em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou apresentaram informações que contrariavam diretamente afirmações de Flávio.

Nesse levantamento, “correção” não significa apenas os casos em que os jornalistas afirmam literalmente que algo não é verdade. Também entram as situações em que são apresentados documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas capazes de contradizer uma declaração factual do candidato.

Momentos em que Flávio Bolsonaro foi desmentido na entrevista

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais contundentes aconteceu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que teria sido criada uma “montagem” para condenar o pai e outras pessoas envolvidas.

Tralli não deixou a afirmação sem resposta. O jornalista contrapôs à versão apresentada por Flávio os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, com detalhes do plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Não se tratava, portanto, apenas de uma divergência entre opiniões políticas. Havia um documento apreendido pela PF e incluído na investigação, além de depoimentos e outros elementos usados como base para as condenações.

Ainda assim, Flávio manteve a tese de que tudo era uma armação, mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para condenar o pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o próprio Flávio admite a mentira

Esse foi o episódio mais explícito da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito que as urnas eletrônicas brasileiras eram produzidas por uma empresa venezuelana. A informação já tinha sido desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista colocou a declaração anterior diante do candidato e perguntou sobre o que ele havia afirmado. Flávio recuou: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

A admissão tem relevância porque não depende de uma interpretação da resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para disfarçar negacionismo

Outro momento marcante ocorreu quando Renata perguntou a Flávio qual era sua posição sobre as mudanças climáticas. A questão era direta: diante das evidências científicas a respeito do aquecimento global, por que o assunto não aparecia de maneira mais clara no plano de governo?

Em vez de responder objetivamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio levou a resposta para temas como saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata voltou ao ponto e perguntou se ele considerava que não existia aquecimento global.

Depois de Flávio responder mencionando ciclos climáticos, a jornalista voltou a confrontá-lo, questionando se aquela posição não significava negar as evidências científicas.

Nesse caso, não havia apenas “opiniões diferentes”. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas sustentadas por um conjunto acumulado de evidências.

4. A carta a Trump e o tarifaço

O quarto episódio está relacionado ao tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio tentou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma iniciativa voltada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, porém, recorreu ao documento apresentado pelo próprio candidato para mostrar uma diferença fundamental. A carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida. O pedido era para adiar sua implementação.

A jornalista explicou que o documento não pedia o fim da investigação, mas o adiamento da aplicação da medida. Também acrescentou que a investigação citada na carta já havia sido concluída.

Flávio tentou manter sua interpretação, mas o conteúdo do documento apresentado por Renata contrariava a maneira como ele havia descrito sua atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

O primeiro grande bloco da entrevista tratou da relação de Flávio com Daniel Vorcaro e do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que os dados estavam disponíveis publicamente.

Tralli apresentou, então, um contraponto: havia sido informado que o perito contratado para analisar os dados não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer completamente a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era simplesmente saber se havia algum documento publicado. O ponto era verificar se os documentos disponíveis eram suficientes para explicar a origem e o percurso dos R$ 61 milhões ligados ao financiamento.

A discussão surgiu justamente quando Flávio tentou encerrar o assunto da prestação de contas como se ele já estivesse totalmente esclarecido. O candidato também se recusou a fornecer o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido apresentar no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando foi homenageado

O sexto episódio envolve Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Questionado sobre a homenagem que concedeu a Adriano, Flávio afirmou que, naquele momento, ele era considerado um policial de destaque e que não havia feito absolutamente nada de errado.

Renata contrapôs a essa versão a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende justamente da ideia de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção de Renata contestou essa sequência dos acontecimentos. Além disso, a jornalista lembrou que parentes do miliciano foram contratados para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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