O jornalista Pedro César Batista afirma que o antipetismo deve ser enfrentado com formação política, disputa de ideias e retomada da luta de classes. Em artigo de opinião, ele sustenta que essa posição política tem raízes em ataques históricos da burguesia e do imperialismo contra a organização dos trabalhadores.
Para Batista, o anticomunismo foi transformado em antipetismo por uma campanha prolongada dos meios de comunicação tradicionais e das plataformas digitais. Ele relaciona esse processo à difusão de valores como individualismo, empreendedorismo, consumismo, meritocracia e defesa do Estado mínimo entre setores proletários.
Referências históricas
O autor recupera episódios da política brasileira para explicar sua interpretação. Em março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade apresentou o combate ao comunismo como justificativa para a mobilização que antecedeu o golpe de 1º de abril. Batista afirma que os Estados Unidos comandaram a ação, responsável por impor 21 anos de repressão, corrupção e morte, na avaliação dele.
Também cita a propaganda anticomunista difundida por jornais, igrejas, quartéis e Hollywood. Segundo o jornalista, a narrativa atribuía aos comunistas a intenção de tomar propriedades, destruir famílias e controlar o país. Ele afirma ainda que a versão sobre a derrota do nazismo pelos Estados Unidos foi usada para ocultar a atuação da Casa Branca durante a Segunda Guerra Mundial.
PT e disputa de ideias
Batista reconhece que o PT não é um partido revolucionário, mas diz que a legenda mobilizou trabalhadores, reuniu correntes da esquerda e expressou a resistência à burguesia e ao imperialismo. Ele destaca a chegada de Lula à Presidência em 2002 e a adoção de políticas sociais, incluindo o Fome Zero, precedido pela Comunidade Solidária, iniciada no governo FHC.
Na avaliação do autor, porém, o partido não promoveu reformas estruturais nas áreas agrária, urbana, sanitária, universitária, financeira e educacional. Ele também critica a ausência de formação política e de um enfrentamento ideológico mais direto contra a burguesia durante as duas décadas de governos do PT.
O artigo associa o mensalão, a Lava Jato e o uso do termo pedalada a iniciativas que, segundo Batista, contribuíram para a campanha contra o PT e para a prisão de Lula. Ele afirma que a Lava Jato aplicou uma estratégia de guerra disseminada pelo Pentágono e que a cassação de Dilma Rousseff teve como justificativa a prática de remanejamento do orçamento público.
Ao concluir, Batista defende que o enfrentamento ao antipetismo passe pelo resgate das lutas do proletariado e pela construção de “trincheiras de ideias”. O jornalista também convoca a derrota do fascismo na eleição, com a reeleição de Lula e a escolha de candidatos do campo popular.








