A eleição que se aproxima colocará em disputa, na avaliação de Jaqueline Moll, dois caminhos para o Brasil: a continuidade de políticas de desenvolvimento e a possibilidade de retorno ao que ela descreve como caos, retrocessos e desorganização política. A autora é pedagoga, doutora em Educação e professora titular da UFRGS, além de professora do PPG em Educação da URI e colaboradora da Universidade de Brasília.
O intervalo democrático
Moll afirma que a alternância entre grupos com diferentes visões de país faz parte da democracia brasileira no período posterior à Constituição de 1988. Segundo ela, esse processo colocou em confronto um projeto conservador, de orientação neoliberal, e outro progressista, de traço social-democrata.
Na leitura da autora, essa dinâmica foi interrompida em 2016, com a deposição de Dilma Rousseff. Ela atribui o episódio à articulação de forças políticas e econômicas contrárias aos processos de inclusão e afirmação nacional que, conforme escreve, ganharam força sobretudo a partir de 2003.
A partir daí, Moll relaciona ao período a retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, o teto de gastos e a reforma do ensino médio. Ela também classifica os anos entre 2019 e 2022 como um período de caos.
Pandemia e políticas públicas
O artigo atribui ao período mais recente 700 mil mortes na pandemia da covid-19 e menciona, entre os problemas enfrentados pelo país, a negação da ciência e o atraso nas vacinas. A autora também cita a volta ao mapa da fome, o recuo de políticas sociais e ambientais, a paralisação de processos de desenvolvimento e o enfraquecimento do Plano Nacional de Educação.
Moll associa ainda esse cenário à disseminação de discursos de ódio, ao incentivo à violência e à tentativa de golpe que, segundo ela, se materializou na destruição de patrimônio público na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
A escolha apresentada no artigo
Para a autora, a eleição de Lula para o terceiro governo recolocou o Brasil no cenário internacional e retomou condições para o desenvolvimento. Ela afirma que a educação voltou a ser prioridade, que a ciência retornou à esfera pública e que foram criadas oportunidades de trabalho.
O texto também menciona a retomada do processo eleitoral como parte necessária dos regimes democráticos. Moll, porém, diz ver novamente o risco de retorno ao período anterior na candidatura do filho do ex-presidente que, segundo ela, aparece como segundo colocado nas intenções de voto. A autora relaciona esse candidato a declarações ofensivas, a relações com milicianos e a falcatruas.
Ao concluir, Jaqueline Moll apresenta a votação como uma decisão entre desenvolvimento, respeito à população, soberania e estabilidade, de um lado, e caos, destruição ambiental, desprezo pela ciência e desorganização social, de outro. Para ela, o resultado definirá o país nos próximos anos e décadas.







