O problema só foi esclarecido depois que a assistência voltou a examinar a geladeira e encontrou um conector mal encaixado perto da área analisada no primeiro reparo. O compressor acionava, mas o ar frio não circulava adequadamente para o compartimento superior.
A falha apareceu alguns dias depois da devolução do aparelho. Primeiro, a manteiga ficou mais macia. Depois, Rita encontrou água sob um pacote de vegetais congelados e colocou um termômetro doméstico na prateleira central. A temperatura subiu, em vez de cair.
Ela fotografou o visor, separou os produtos que ainda pareciam frios e descartou os perecíveis que não haviam sido mantidos em temperatura segura. Entre os itens perdidos estavam alimentos da semana. Para documentar a reclamação, reuniu a ordem de serviço, a data de devolução, vídeos do painel, fotos dos alimentos e os valores aproximados do que não tinha comprovante de compra.
O que havia sido feito no primeiro reparo
O atendimento inicial foi motivado por um ruído intermitente na parte de trás do eletrodoméstico. Naquele momento, Rita não relatava perda de frio: a água continuava gelada e os alimentos permaneciam frios. A oficina testou o aparelho, substituiu o componente apontado pelo técnico como responsável pela vibração e o devolveu sem o barulho.
O documento entregue registrava a peça trocada e a cobrança. Não havia, porém, uma sequência de medições de temperatura nem o tempo exato da observação. Rita chegou a perguntar se a refrigeração tinha sido verificada e ouviu que o equipamento ficara algumas horas em teste.
O técnico não afirmou se o conector havia sido deslocado durante o serviço ou se já apresentava mau contato. A assistência reconheceu que a peça ficava na região manipulada e refez o encaixe. Em seguida, acompanhou a queda da temperatura.
Rita pediu que a intervenção não gerasse nova cobrança e apresentou a relação dos alimentos descartados. A empresa propôs ressarcir os itens comprovados, embora não aceitasse todas as estimativas feitas de memória. Também devolveu o preço do segundo deslocamento, que nem chegou a cobrar.
O teste após o conserto
Depois da nova intervenção, Rita deixou um termômetro dentro da geladeira por dois dias e comparou as medições em diferentes horários. O aparelho voltou a resfriar, e o congelador manteve firmes os produtos novos. Só então ela retomou as compras da semana.
O técnico explicou que uma verificação de algumas horas pode não reproduzir o funcionamento contínuo em casa, com abertura de portas e carga de alimentos. O silêncio na entrega, portanto, não bastava para confirmar que a refrigeração estava estável.
O registro da posição do conector, a proximidade da intervenção anterior e as temperaturas medidas formaram uma relação plausível para a negociação, mas não determinaram o momento em que a conexão se soltou. Rita passou a fotografar o painel e a conferir a refrigeração depois de serviços no aparelho.







