Anitta anunciou que vai apresentar filmes, documentários e livros durante os ensaios da Acadêmicos do Grande Rio para ajudar o público a conhecer a história dos Tabom. A cantora, que é rainha de bateria da escola, começou a série de indicações com um vídeo sobre a comunidade afro-brasileira que se estabeleceu na antiga Costa do Ouro, atual Gana.
A recomendação foi publicada nesta terça-feira (29), nas redes sociais de Anitta. No conteúdo, ela afirmou que a produção está disponível no YouTube e aborda o enredo “Sankofa” e os retornados da Costa do Ouro. “A dica de hoje tá no YouTube, super rápido, simples, de graça para você assistir”, disse.
A história levada pela Grande Rio
O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Antonio Gonzaga se chama “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”. A proposta parte da trajetória de afro-brasileiros que foram para a África e aborda a cultura dos povos que formaram Gana, além do processo de independência do país, em 1957, considerado o primeiro da África Subsaariana.
A escola de Duque de Caxias (RJ) será a terceira a desfilar na terça-feira de Carnaval, em 9 de fevereiro. A narrativa também passa pela escravização e pela exploração de africanos, mas Anitta destacou que a história inclui “luta, vitória” e outras camadas da experiência dos retornados.
Da Bahia para Accra
O retorno de afro-brasileiros para a África ganhou força depois da Revolta dos Malês, em Salvador (BA), em 1835. Parte dos primeiros Tabom, muçulmanos de etnia hauçá, teria sido deportada à força pelo Império por participar do levante. Outros saíram da Bahia para fugir da perseguição a negros libertos.
Dados reunidos pela pesquisadora Mônica Lima e Souza indicam que 993 pessoas retornaram à África entre 1835 e 1837. A estimativa é de que, ao todo, cerca de 8 mil afro-brasileiros tenham feito esse percurso a partir do fim do século 18, conforme Carlos Fonseca registra no livro Os Retornados.
Em Accra, os recém-chegados foram acolhidos pelo povo Ga e receberam terras em Jamestown. No bairro, construíram suas casas na rua conhecida hoje como Brazil Lane. A tradição oral relaciona o nome Tabom à expressão “tá bom”, usada nas conversas por pessoas que ainda não dominavam a língua local.
A herança brasileira aparece em sobrenomes como Ribeiro, Lima e Da Costa, na feijoada e no ritmo agbê, presente no culto a Xangô. Roland Boye, da sexta geração de Tabom, afirmou que a comunidade tem orgulho da própria história. O percussionista Eric Morton também relatou o ritual fúnebre em que os moradores cantam “Viva Iáiá” e disse que, para eles, a alma retorna ao Brasil.







